<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-9453693</id><updated>2011-04-22T04:24:44.364+01:00</updated><title type='text'>Ceiba Pentandra</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://estroapriori.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estroapriori.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Diletante a priori</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14443922015971556315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/ris.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>26</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9453693.post-111515387513391170</id><published>2005-05-03T21:24:00.000+01:00</published><updated>2005-05-03T21:57:55.136+01:00</updated><title type='text'>O Meu Primeiro Inquérito Público ("quem dá mais?!")</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A Bíblia, porque os livros devem saber quem é o seu autor e eu pelo-me por saber se afinal sempre foi Platão que a escreveu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Já alguma vez ficaste apanhado por uma personagem de ficção?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Já, mas é tão ficcional que ainda nem escreveram sobre ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual o último livro que compraste?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;A Origem da Tragédia&lt;/em&gt; de F. Nietzsche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual o último livro que leste?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Hiroshima Mon Amour&lt;/em&gt; de Marguerite Duras(para a escola), &lt;em&gt;História da Filosofia Ocidental&lt;/em&gt; de Bertrand Russell (para a cultura, mas ajuda na escola), &lt;em&gt;Duas Mulheres em Praga&lt;/em&gt; de Juan José Millás (para um dia bem passado longe do computador, da televisão e dos jornais).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que livro estás a ler?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Horror Económico&lt;/em&gt; de Viviane Forrester , &lt;em&gt;A Origem da Tragédia&lt;/em&gt; do F.N. (para a escola, mas com prazer), &lt;em&gt;Aparição&lt;/em&gt; de Vergílio Ferreira (para a escola e para a vida), &lt;em&gt;Stéphane Grapelli plays Cole Porter: Jazz In Paris &lt;/em&gt;(porque há discos que bem podiam ser livros...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que livros (cinco) levarias para uma ilha deserta?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Os livros povoam e eu não sei se a ilha ia gostar de deixar de ser deserta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A quem vais passar este testemunho e porquê?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Aos camaradas do &lt;a href="http://citadino.blogspot.com"&gt;Um Homem das Cidades&lt;/a&gt;, porque apesar de brincarem muito correm o risco de ficarem com um blogue sério. Ao &lt;a href="http://www.rafael-dionisio.blogspot.com"&gt;hercúleo Rafael &lt;/a&gt; porque sempre quero ver se ele tem coragem de modificar a linha editorial do seu blogue. Ao &lt;a href="http://openroad.blogs.sapo.pt/"&gt;Ocean&lt;/a&gt;, que vai achar muita piada a isto. A todas as pessoas que tomem a responsabilidade de, ao contrário da minha pessoa, responder a isto interessantemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Enfim...&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9453693-111515387513391170?l=estroapriori.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estroapriori.blogspot.com/feeds/111515387513391170/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9453693&amp;postID=111515387513391170' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/111515387513391170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/111515387513391170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estroapriori.blogspot.com/2005/05/o-meu-primeiro-inqurito-pblico-quem-d.html' title='O Meu Primeiro Inquérito Público (&quot;quem dá mais?!&quot;)'/><author><name>Diletante a priori</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14443922015971556315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/ris.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9453693.post-111486836197520547</id><published>2005-04-30T13:59:00.000+01:00</published><updated>2005-04-30T15:23:17.900+01:00</updated><title type='text'>O que é existir?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;«&lt;/strong&gt;- Ouça, doutor: se alguma coisa me preocupou sempre foi ser consequente, unir o que faço ao que sinto. Porque não faz o mesmo?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Como não faço o mesmo?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Oh, não faz... Se o fizesse, já me teria beijado...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A violência com que me apanhou não foi súbita. Houve um silêncio de atordoamento. Até que na intimidade dos meus ossos, dos meus nervos, uma raiva de dentes me endoideceu. Sofia estava na minha frente, frágil e intensa como um fibra de nervo; e eu sentia-a toda colada ao meu apelo, aniquilada, num esmagamento de mãos torcidas, de mastigação... Ergui-me trémulo, apoderei-me dela, cerrei-a violentamente no meu calor, tentei reduzi-la toda a esse ápice incandescente, onde a vida infinita se me centrava. Mas ela, com uma energia que era eficaz para me pôr diante de mim, por vir dela - um ser frágil -, repeliu-me com raios no olhar. Senti-me miserável como quem é apanhado nu: o que era do meu mistério, do meu segredo, ficara ali exposto, sem que Sofia me pagasse a minha revelação com a revelação de si própria. Eu reuni os meus papéis, preparando-me para sair. Ela então veio sobre mim, já humilde, curvada, pagando alguma coisa da minha humilhação com um pouco da sua fraqueza.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Nada aqui tenho a fazer - disse eu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Fique, fique.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não se divertiu bastante?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sofia então tomou-me bruscamente a cabeça nas mãos e deu-me um beijo rápido na boca. Mas eu sentia-me vexado. Tinha, aliás, a certeza de que, se tentasse de novo tomá-la, de novo havia de me repelir. Sentei-me, por fim, em silêncio. Acendi um cigarro. Uma onda forte de chuva batia agora no pátio, irradiando a presença de tudo para uma desolação imemorial. Sofia acendeu também um cigarro; e a sala, abafada de fumo, começava a segregar um cheiro a vício nocturno.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Que mais deseja dizer-me? -perguntei.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ah, você não entende, você não entende... O Chico contou em casa da minha irmã o que você lhe disse. E eu sabia-o, eu sabia. Você não trouxe nenhuma novidade. Aliás o Chico não soube contar. Mas foi como se soubesse, porque eu já conhecia tudo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Calou-se um momento, quebrando a cinza do cigarro. Num instante a porta da rua abriu-se, alguém entrou, limpando os pés no tapete, trocando com alguém palavras ininteligíveis.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não se preocupe. Ninguém vem aqui. Dei ordens terminantes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não estou preocupado. Estou só a ouvi-la.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu reconciliava-me pouco a pouco com ela. De novo se me erguia, fascinante, no seu corpo selado de luto, nas sua mãos agudas, de gestos oblíquos no seu olhar ilícito e inocente. Sofia falava. Em momentos fulgurantes, pelo meio da noite, ela descobrira também a vertigem da vida, da sua pessoa, da gratuidade desse absurdo milagre, da interrogação para o amanhã: "Eu já conhecia tudo." Ou talvez não tivesse descoberto verdadeiramente e só agora, ao aviso da minha palavra, tudo se lhe revelasse em violência, num bater descompassado do coração. Que havia, pois, mais para a vida, para responder ao meu desafio de milagre e de vazio, do que vivê-la no imediato, na execução absoluta do seu apelo? Eliminar o desejo dos outros para exaltar o nosso. Queimar no dia-a-dia os restos de ontem. Ser só abertura para amanhã. A vida real não eram as leis dos outros e a sua sanção e o seu teimoso estabelecimento de uma comuniade para o furor de uma plenitude solitária. O absoluto da vida, a resposta fechada para o seu fechado desafio só podia revelar-se e executar-se na união total com nós mesmos, com as forças derradeiras que nos trazem de pé e são nós e exigem realizar-se até ao esgotamento. Este "eu" solitário que achamos nos instantes de solidão final, se ninguém o pode conhecer, como pode alguém julgá-lo? E de que serve esse "eu" e a sua descoberta, se o condenamos à prisão? Sabê-lo é afirmá-lo! Reconhecê-lo é dar-lhe razão! Que ignore isso o que ignora &lt;em&gt;que é&lt;/em&gt;. Que o despreze e o amordace o que vive no dia-a-dia animal. Mas quem teve a dádiva da evidência de si, como condenar-se a si ao silêncio prisional? Ninguém pode pagar, nada pode pagar a gratuidade desse milagre de &lt;em&gt;sermos&lt;/em&gt;. Que ao menos nós lhe demos, a &lt;em&gt;isso&lt;/em&gt; que somos, a oportunidade de o sermos até ao fim. Gritar aos astros até enrouquecermos. Iluminarmos a brasa que vive em nós até nos consumirmos. Respondermos com a absoluta liberdade ao desafio do fantástico que nos habita. Somos cães, ratos, escaravelhos com consciência? Que essa consciência se esgote até às fezes da nossa condição de escaravelhos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Calou-se enfim. Uma beleza demoníaca, como de uma criança assassina, fulgurava-lhe nos olhos líquidos, na face branca, na boca ávida e sangrenta. E um apelo de uma união trágica e blasfema subiu-me pelo corpo como um grito estriado, uma raiva distorcida com longos olhos chorando... Então, quase serenamente, tomei Sofia nos braços e ambos nos sentimos perdidos de aflição como no último amor de dois condenados à morte.&lt;strong&gt;»&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;p align="right"&gt;em &lt;em&gt;Aparição&lt;/em&gt; (cap. VII) de Vergílio Ferreira&lt;/p&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;p&gt;[Nota: aqui está uma coisa que eu gostaria de ter escrito...]&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9453693-111486836197520547?l=estroapriori.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estroapriori.blogspot.com/feeds/111486836197520547/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9453693&amp;postID=111486836197520547' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/111486836197520547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/111486836197520547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estroapriori.blogspot.com/2005/04/o-que-existir.html' title='O que é existir?'/><author><name>Diletante a priori</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14443922015971556315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/ris.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9453693.post-111394061230688669</id><published>2005-04-19T18:09:00.000+01:00</published><updated>2005-04-19T21:19:00.390+01:00</updated><title type='text'>'Nuntio vobis gaudium magnum, habemus Papam' ...  ou não!</title><content type='html'>&lt;img alt="Image hosted by Photobucket.com" src="http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/Joseph_Ratzinger-thumb.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Joseph Ratzinger foi proclamado Papa por sufrágio repartido entre Deus (um ser omnisciente, omnipotente e omnipresente, isto é, o Uno Primordial imediatamente a seguir a toda a matéria do cosmos cuja união originou o &lt;em&gt;Big-Bang&lt;/em&gt;) e homens (115 cardeais). O novo Papa de 78 anos escolheu o nome de Bento XVI, facto que os analistas vêem com muito bons olhos, já que Bento XV terá sido um Papa muito empenhado em não permitir que a Guerra Mundial I se realizasse, bem como na evangelização e missionação. Parece que os papas não escolhem o seu nome por acaso, e pelos vistos Ratzinger também tem as suas ambições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bagão Félix, convidado pela SIC para opinar como católico sobre o fenómeno da escolha recente de um novo Papa, e ainda sem saber qual seria, levou consigo para os estúdios da televisão um dos livros de Ratzinger. E enquanto Margarida Rebelo Pinto afirma que não há coincidências, Bagão disse que está muito feliz com esta escolha e quer que o novo Papa seja o seu pai espiritual, cuja imagem de afabilidade elogia, dizendo que lhe dá conforto; acerca da aparente austeridade e do sobranceiro rigor de Ratzinger, pensa que não ofusca a sua faceta humanista e ecuménica. Bagão Félix também disse que um Papa, por definição, é apenas um homem de Fé, alguém sem uma acção verdadeiramente conotada politicamente. O católico em causa também manifesta uma profunda ignorância voluntária ou ingenuidade propositada ao não reconhecer o papel político que têm tido os Sumos Pontífices ao longo dos tempos. Confrontado com esta evidência, responderia provavelmente que o seu conhecimento da História começa em 1945, com a criação da ONU (Organização das Nações Unidas), ou quiçá, numa perspectiva bastante optimista, em 1919, aquando da criação da predecessora da ONU, a Sociedade das Nações. Antes destes nobres projectos, o Papa era verdadeiramente a instituição reguladora das relações políticas dentro do mundo católico (quase todo o mundo, portanto); o novo analista teológico da SIC parece não se lembrar desse pormenor e do facto de a Igreja não se livrar do Evangelho ‘em três tempos’, tal como não se livra do hábito (ou, sociologicamente falando, do &lt;em&gt;estatuto adquirido&lt;/em&gt;) de meter o nariz em assuntos políticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ratzinger, ou Bento XVI, independentemente do que pensam os comentadores, é um homem mediático (tal como o seu antecessor). A comunicação social às vezes é desarmónica: o ex-cardeal recebeu o rótulo de progressista no Vaticano II (apesar de ter ajudado a marginalizar dezenas de teólogos críticos das doutrinas da ICAR - Igreja Católica Apostólica Romana -, cujos contributos poderiam ter sido fulcrais para a adaptação dos preceitos fundamentais da Igreja aos tempos que correm, e fez tudo em favor da ortodoxia da ideologia Católica), mas agora muitos lhe chamam conservador. Pareceu simpático, na bênção &lt;em&gt;Urbi et Orbi&lt;/em&gt;. Ter-lhe-ia o poder iluminado o sorriso? Ou será sido abençoado com o dom da espontaneidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afirma-se o brilhantismo deste Papa como teólogo e intelectual, facto que não me atrevo a contestar por puro desconhecimento da sua obra e pela consciência de que, efectivamente (desculpem-me pelo uso desta última palavra, mas a desintoxicação das certezas tem de ser feita devagar), não é qualquer pessoa que se torna Papa. É preciso cultura e inteligência (sobretudo para contornar as argumentações antagónicas). Tenho, no entanto, uma espécie de opinião sobre este homem: parece-me demasiado coerente. A coerência é muito bonita na literatura, nos problemas matemáticos, nas amebas e nos extractos bancários. Nos seres humanos é desconfiável. Não quero dizer com isto que Zita Seabra é mulher de muita dignidade. Todavia, a incoerência deve ser admitida apenas como circunstancialmente humana, na pior (ou será melhor?) das argumentações. Exactamente admitida como nossa condição irreversível, contra todas as evasivas. Pois atentemos no verdadeiro Evangelho: &lt;strong&gt;coerência significa estarmos conscientes da nossa incoerência e sermos absolutamente dogmáticos em relação a ela&lt;/strong&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;p&gt;[Ah!, a propósito: Ratzinger tem um &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.ratzingerfanclub.com/"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;clube de fãs &lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;na net, que conheci hoje através do &lt;em&gt;Público&lt;/em&gt;... um paraíso do &lt;em&gt;merchandising&lt;/em&gt;!]&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9453693-111394061230688669?l=estroapriori.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estroapriori.blogspot.com/feeds/111394061230688669/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9453693&amp;postID=111394061230688669' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/111394061230688669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/111394061230688669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estroapriori.blogspot.com/2005/04/nuntio-vobis-gaudium-magnum-habemus.html' title='&apos;Nuntio vobis gaudium magnum, habemus Papam&apos; ...  ou não!'/><author><name>Diletante a priori</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14443922015971556315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/ris.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9453693.post-111375056073783524</id><published>2005-04-17T15:22:00.000+01:00</published><updated>2005-04-17T16:22:51.106+01:00</updated><title type='text'>A Origem da Telenovela</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;p&gt;Fiquei surpreendida com a perspicácia de Bertrand Russell. Provavelmente sem o saber conseguiu descobrir, em Homero, a origem da telenovela. Antes dele, voluntariamente, já Nietzsche tinha descoberto em Apolo, Dionis(í)o e (embora de forma mais dissimulada) em Wagner a &lt;em&gt;Origem da Tragédia&lt;/em&gt;. &lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;p&gt;Para variar, as minhas observações pessoais entrecortantes ficam a vermelho.&lt;/p&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;p&gt;«A família-padrão dos heróis humanos de Homero é a Casa de Pelops, mas não tem êxito como modelo de família feliz &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;[Homero afinal também vingou como destruidor de mitos: estudos recentes - aí do séc. V a. C. - mostram que a família deixa de ser família se for feliz]&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;p&gt;"Talantos, o fundador asiático da dinastia, começou a carreira por ofensa directa aos deuses &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;[é por isto que eu digo sempre que os testes vocacionais dão jeito...]&lt;/span&gt;; diz-se que tentou enganá-los dando-lhes a comer carne humana, a de seu próprio filho Pelops &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;[havia de ser fresco, o puto!]&lt;/span&gt;. Pelops, miraculosamente restituído à vida, pecou &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;[se fosse católico bastava nascer para ser pecador]&lt;/span&gt;. Ganhou a famosa corrida de carros contra Enomeu, rei de Pisa &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;[antepassado dos Grimaldi, decerto... Com este gosto pelos desportos radicais!]&lt;/span&gt;, por conivência com Myrtilos &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;[que, de acordo com o resto da mitologia deve ter plantado alguma árvore de frutos silvestres, com os quais hoje fazemos compotas]&lt;/span&gt;, cocheiro do rei, e depois livrou-se do seu aliado a quem prometera prémio, atirando-o ao mar. O castigo caiu sobre os filhos &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;[aqui está a &lt;em&gt;origem do Tribunal de Família e Menores&lt;/em&gt;]&lt;/span&gt;, Atreu e Tiestes, na forma chamada pelos gregos &lt;em&gt;ate&lt;/em&gt;, o impulso forte, senão irresistível para o crime &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;[que mania de se dizer que tudo o que é bom é pecado!]&lt;/span&gt;. Tiestes corrompeu a mulher do irmão e depois tratou de roubar o 'talismã' da família, o famoso velo de ouro &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;[já cá faltava o capital...]&lt;/span&gt;. Atreu por seu lado, baniu o irmão, e tornando a chamá-lo a pretexto de reconcialiação serviu-lhe à mesa a carne dos próprios filhos &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;[o que faz a crise, céus!]&lt;/span&gt;. O castigo ficou em herança a Agamemnon &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;[pois é, rapaz: isto nas partilhas é assim, nem sempre nos calha o que queremos...]&lt;/span&gt;, filho de Atreu, que ofendeu Artemis matando um veado sagrado &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;[mal vocês sabem o que fazem aos bichinhos na União Zoófila!]&lt;/span&gt;, sacrificou a própria filha Ifigénia para acalmar a deusa &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;[uma badalhoca sado-masoquista] &lt;/span&gt;e obter viagem tranquila para Tróia à sua armada &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;[assim é que é: os bichos são mais importantes que as pessoas!]&lt;/span&gt;; por sua vez foi assassinado por sua infiel mulher &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;[que tinha ciúmes do veado]&lt;/span&gt;, Clitemnestra, e pelo seu amante Egisto, filho sobrevivente de Tiestes. Orestes, filho de Agamemnon, vingou seu pai, matando a mãe e Egisto &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;[Édipo era um menino ao lado deste gajo!]&lt;/span&gt;." &lt;span style="font-size:78%;"&gt;{&lt;em&gt;Five Stages of Greek Religion&lt;/em&gt;, Bailey}  &lt;span style="font-size:130%;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- in &lt;em&gt;História da Filosofia Ocidental e sua conexão Política e Social desde os tempos primitivos até hoje&lt;/em&gt;, Primeiro Volume, de Bertrand Russell, tradução de Prof. Doutor Vieira de Almeida e notas de Dr. Rogério Fernandes, Círculo de Leitores 1979&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Enfim...&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; agora que sei que a origem das telenovelas é erudita posso vê-las sem grande sentimento de culpa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9453693-111375056073783524?l=estroapriori.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estroapriori.blogspot.com/feeds/111375056073783524/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9453693&amp;postID=111375056073783524' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/111375056073783524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/111375056073783524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estroapriori.blogspot.com/2005/04/origem-da-telenovela.html' title='A Origem da Telenovela'/><author><name>Diletante a priori</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14443922015971556315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/ris.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9453693.post-111335211172669267</id><published>2005-04-13T01:02:00.000+01:00</published><updated>2005-04-13T01:28:31.726+01:00</updated><title type='text'>Notas Relevantes</title><content type='html'>Olá caríssimos leitores (eu ainda tenho leitores?! Eu ainda mereço leitores?! Eu alguma vez mereci leitores?!...),&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho tido muito que fazer ultimamente, mas não podia deixar de postar aqui algo que me passou pela ideia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já se deram conta de que Tchaikovsky também ouvia o infinito? Perdoem-me os conhecedores, os 'eruditos', os cagões, se o que digo é barbaridade, mas atrevo-me a afirmar que o senhor ouvia mesmo o infinito, &lt;strong&gt;tanto&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;quanto Beethoven &lt;/strong&gt;(digam lá se este &lt;em&gt;&lt;strong&gt;bold&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; não é uma ousadia!...). O último continua detentor do mérito máximo; afinal era surdo, ao contrário do russo. Mas isso é só um pormenor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                            &lt;img alt="Image hosted by Photobucket.com" src="http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/tchaikovsky_3.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;                                                Piotr Tchaikovsky pelo pincel de Nikolai Kusnezow, 1983.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt;Enfim...&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (re)ouçam e depois digam-me qualquer coisita...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9453693-111335211172669267?l=estroapriori.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estroapriori.blogspot.com/feeds/111335211172669267/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9453693&amp;postID=111335211172669267' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/111335211172669267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/111335211172669267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estroapriori.blogspot.com/2005/04/notas-relevantes.html' title='Notas Relevantes'/><author><name>Diletante a priori</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14443922015971556315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/ris.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9453693.post-111238594716760443</id><published>2005-04-01T19:32:00.000+01:00</published><updated>2005-04-01T21:05:47.170+01:00</updated><title type='text'>Um texto bastardo.</title><content type='html'>&lt;p&gt;            Perdoem-me, caríssimos leitores, esta ausência milenar do meu universozinho sedeúdo. Não, não estava armada em Deus; simplesmente me ocupavam outros assuntos que passo a enumerar para que não me julguem desonesta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Férias&lt;br /&gt;2. Férias&lt;br /&gt;3. Férias&lt;br /&gt;4. Férias&lt;br /&gt;                                              E assim por diante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Com efeito, férias são férias. Sejam na Catalunha, como as minhas, na Islândia, no Nepal ou no Vaticano. Gostavam de saber das minhas férias? Pois eu conto: foram muito boas, apesar de não me terem dado tempo para descansar (pronto, pronto, eu corrijo… não foram bem férias mas sim “viagem de finalistas” – e dizer “viagem de finalistas” até tem uma certa piada, se considerar que finalizo só a vida boa para me lançar na via-crúcis). Como quaisquer férias normais, as minhas férias tiveram acontecimentos bizarros de que vos posso dar exemplos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      1. Galeses loiros e mui bêbedos dormindo em canteiros das ruas de Salou às 4 horas da madrugada;&lt;br /&gt;      2. Magrebinos que vendem &lt;em&gt;recuerdos &lt;/em&gt;e decidem, como a maior das naturalidades, ler-nos a sina, chegando a levantar-nos a camisola na zona abdominal para verificar se temos algum tipo de sinais pressagiosos;&lt;br /&gt;      3. Adolescentes do sexo feminino que se embebedam nos corredores dos hotéis com garrafões de vinho tinto;&lt;br /&gt;     4. Anfiteatros do antigo Império Romano do Ocidente que se encontram separados de linhas ferroviárias por três ou quatro palmos, além de estarem rodeados de prédios arquitecturalmente tão interessantes como os de qualquer bairro social dos arredores de Berlim (&lt;em&gt;Welcome to Tarragona&lt;/em&gt;…).&lt;br /&gt;                                                E assim por diante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Mas Barcelona é, sem dúvida, o mais inesquecível de toda a viagem. É uma cidade lindíssima, não só pela sua riqueza histórica, mas também pelo facto de tudo o que nela é cultura parecer estar extremamente bem conservado. Digo “parecer” pois conheci muito pouco da cidade, e embora eu seja algo sedentária, tenciono lá voltar em breve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Quem conhece alguma coisa de Lisboa e gosta dela, perceberá com certeza em Barcelona vestígios de uma Lisboa que nunca existiu. Nunca existiu porque nunca foi respeitada como Barcelona. Porque temos medo de baixar os salários dos políticos e governantes e abrir ao público qualquer coisa parecida com um Parc Güell ou uma Casa Batlló. Não sou ignorante ao ponto de sugerir que tivemos alguém no país com uma obra semelhante à do génio modernista Antoni Gaudí, mas posso assegurar-vos que há coisas muito interessantes por essa Lisboa e por esse Portugal fora que precisam ser descobertas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Não temos a Sagrada Família, é certo, mas temos o Mosteiro dos Jerónimos, que não está com gruas e andaimes quase desde o início do século; temos o Oceanário no Parque das Nações, que é bem mais completo, bonito e interessante que o Aquário de Barcelona, onde se paga 14 euros por uma visita de 10 minutos sem guia e sem qualidade nenhuma; temos a Mouraria em vez do Barri Gòtic, o Chiado em vez da Rambla, o Museu Calouste Gulbenkian em vez do Museu Nacional de Arte da Catalunha… - pronto, pronto, confesso que tenho falado de forma algo inadequada, pois não se trata propriamente de termos “isto em vez “daquilo”; trata-se, sim, de conservarmos “isto” com a mesma paixão e o mesmo orgulho com que os catalães conservam “aquilo”, gastando, por exemplo, menos dinheiro a ir ver jogos de futebol do que a visitar tudo isto, mesmo sendo lisboetas – o estádio do Barça pareceu-me até o ponto menos conservado da cidade, calculem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Enfim…&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; Eu não me conformo com o facto de Portugal ser um país bastardo. Mas mais grave que ser bastardo é ser um bastardo voluntário.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9453693-111238594716760443?l=estroapriori.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estroapriori.blogspot.com/feeds/111238594716760443/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9453693&amp;postID=111238594716760443' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/111238594716760443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/111238594716760443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estroapriori.blogspot.com/2005/04/um-texto-bastardo.html' title='Um texto bastardo.'/><author><name>Diletante a priori</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14443922015971556315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/ris.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9453693.post-111031405105907324</id><published>2005-03-08T20:29:00.000Z</published><updated>2005-03-08T20:34:11.063Z</updated><title type='text'>O Dia Internacional da Mulher</title><content type='html'>Mais um obstáculo a transpor para que haja um dia, no Mundo inteiro, igualdade entre os sexos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/mississippi.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com"&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9453693-111031405105907324?l=estroapriori.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estroapriori.blogspot.com/feeds/111031405105907324/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9453693&amp;postID=111031405105907324' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/111031405105907324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/111031405105907324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estroapriori.blogspot.com/2005/03/o-dia-internacional-da-mulher.html' title='O Dia Internacional da Mulher'/><author><name>Diletante a priori</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14443922015971556315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/ris.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9453693.post-110994031617611390</id><published>2005-03-04T12:31:00.000Z</published><updated>2005-03-04T12:45:16.176Z</updated><title type='text'>Todos os portugueses conseguem: basta querer!</title><content type='html'>Foi publicado hoje no Público um texto [que poderão ler &lt;a href="http://jornal.publico.pt/noticias.asp?a=2005&amp;m=03&amp;amp;d=04&amp;id=9706&amp;amp;sid=1033"&gt;aqui&lt;/a&gt;] que, apesar de ter, em alguns pontos, uma argumentação legítima, me parece ser fruto de alguma vitimização exagerada.  Afinal, se com uma inteligência tão limitada Pedro Santana Lopes conseguiu chegar ao Parlamento, um negro não haveria de consegui-lo no nosso país só pela cor da sua pele? Sinceramente, não faz sentido...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9453693-110994031617611390?l=estroapriori.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estroapriori.blogspot.com/feeds/110994031617611390/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9453693&amp;postID=110994031617611390' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110994031617611390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110994031617611390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estroapriori.blogspot.com/2005/03/todos-os-portugueses-conseguem-basta.html' title='Todos os portugueses conseguem: basta querer!'/><author><name>Diletante a priori</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14443922015971556315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/ris.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9453693.post-110989282586881417</id><published>2005-03-03T23:21:00.000Z</published><updated>2005-03-04T12:31:38.956Z</updated><title type='text'>D. Luís Delgado - O Benzodiazepínico Moralizante</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Descobri hoje a razão pela qual Luís Delgado é um caso de insensibilidade e presunção de dimensão tão incalculável&lt;span style="color:#cc33cc;"&gt; {perdoem a hipérbole}&lt;/span&gt;: não compreendeu a &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Mensagem&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; pessoana.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Luís Delgado diz hoje no Diário de Notícias, com a sua escrita simplista e desprestigiante para muitos bons redactores que, certamente, estão desempregados, o seguinte:&lt;/p&gt;&lt;p class="style1" align="center"&gt;&lt;strong&gt;“ Mas vamos ao que interessa: quais são as causas que levam os portugueses a ingerir tantos antidepressivos, mais benzodiazepinas, e outros "calmantes", em linguagem popular?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É da crise? É do clima?, Ou é, na verdade, da nossa génese como povo deprimido, com fraca auto-estima, e incapaz de vencer os medos?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;O V Império morreu por falta de imperador, e isso sempre nos levou a encarar a tristeza, o pessimismo e a falta de objectivos nacionais como um estigma insolúvel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal é um país feito de metades: uma sempre deprimida - que tende a crescer - e outra desinibida, que tende a exagerar. É o nosso fado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a verdadeira questão, que um estudo sobre esse consumo poderia revelar, é saber se os nossos jovens, as novas gerações, estão a conseguir ultrapassar a síndroma colectiva da falta de D. Sebastião. Não é seguro que assim seja.”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ora, se D. Luís Delgado tivesse atentado bem naquilo que Pessoa disse, teria compreendido que o Quinto Império é um ideal colectivo e que a sublimação dos portugueses que o poeta vaticina não poderia nunca coexistir com a liderança de um imperador. Com efeito, D. Sebastião não representa a chefia da nossa nação para o alcance de grandes ideais e/ou valores próprios do Quinto Império; ele é, tão-somente, um paradigma necessário. Pessoa não nos pede que esperemos pela manhã de nevoeiro, mas sim que lutemos para que o nosso país se torne, um dia, no Quinto Império, para que “se cumpra Portugal”. Obviamente, Luís Delgado também critica a nossa dependência do mito – aí terá razão, mas é também certo que a dependência é &lt;strong&gt;NOSSA&lt;/strong&gt;; Pessoa não a incutiu em nós, pelo contrário. O carácter onírico que imprimiu na sua obra parece até ser encorajador.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Quanto ao fado e às metades, também não estou muito convencida. Fado? Quem mistura o Quinto Império com fado? É preciso separar as respectivas providências. “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce” mostra-nos exactamente isso: Deus poderia ter correspondência com o Fado, mas ele é, ainda assim, só um incentivo. Que seria de Deus sem o Homem? Aliás, Hegel e Feuerbach provam-no bem. É ao Homem que cabe a árdua tarefa de transformar o seu destino. Qual fado, qual carapuça! Os portugueses tomam antidepressivos a mais porque os antidepressivos existem, pura e simplesmente (um chavão é sempre enobrecedor). A atitude de tomar um prozacquezito (um neologismo afrancesado) é tipicamente americana, e é da América que vêm os antidepressivos mais vendidos. Mas o que não é americanizado nos dias que correm? A dignidade pára em algum lado &lt;span style="color:#cc33cc;"&gt;{a propósito, já reparam que estou a escrever numa máquina idealizada e fabricada em Silicon Valley?}&lt;/span&gt;? E os fármacos são solução para a mediocridade cultural e a degenerescência moral, ideológica e social do nosso país?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;No que respeita aos jovens, é certo que ultrapassam a ausência de D. Sebastião. Se não o fazem com antidepressivos, têm os charros, que vão dar ao mesmo. Os que ultrapassam melhor são aqueles que desconhecem D. Sebastião ou o que ele tem representado desde a sua morte. Também há os que não querem saber do D. Sebastião para nada e os que, mesmo lendo artigos do Luís Delgado, não acreditam que o sonho acabou n’ “O Encoberto”. São os que temem tornar-se “cadáveres adiados” e os que sabem que “ser descontente é ser homem” e, por isso, concretizam, eles mesmos, o mito sebástico. São poucos estes jovens, mas eu tenho o prazer de conhecer alguns. &lt;em&gt;Voilá&lt;/em&gt;, algo de bom!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A dada altura, Luís Delgado lança uma pérola epigramática que creio nunca mais poder vir a esquecer:&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;“&lt;strong&gt;Convém olhar para isto com todo o pragmatismo, antes com antidepressivos, do que sem nada.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;Agora cabe aos especialistas analisar as consequências. Um país de alienados também não é a receita certa e eficaz para dar a volta.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc33cc;"&gt;{peço perdão pela pontuação. Não sei se o autor escreveu isto mesmo assim ou se a edição do DN online é, de facto, rebelde. Mas sei que não gasto dinheiro a comprar um jornal no qual Luís Delgado assina uma coluna…}&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ora, imagine-se um indivíduo órfão, desempregado, com 14 filhos para sustentar e uma mulher chata como o caraças: a tendência primeira seria a de se entregar a uma vida desregrada (com álcool, drogas e, quem sabe, algum &lt;em&gt;rock-n’-roll&lt;/em&gt;) para esquecer essas adversidades. Poderia recorrer aos antidepressivos em vez de se drogar com outras coisas já referidas, ou mesmo ainda não referidas – seria o caso dos panfletos propagandistas do PSD, por exemplo -, mas, como nos indica o Sr. Delgado, essa criatura estaria muito próxima daquilo a que chamamos convencionalmente &lt;em&gt;pateta alegre&lt;/em&gt;. Tem piada que Luís Delgado primeiro gosta dos espécimes em causa (os “alienados”) e depois já deixa a sua utilidade ao critério dos “especialistas”. Os típicos portugueses são, para ele, depressivos. Eu cá acho que, não sendo nem parecendo propriamente depressivo, Luís Delgado é muito mais português do que todos os portugueses de que fala: à mínima dúvida, contrata, como todos os portugueses que se prezem, serviços de consultoria!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Enfim…&lt;/span&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;vai um Prozac? &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9453693-110989282586881417?l=estroapriori.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estroapriori.blogspot.com/feeds/110989282586881417/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9453693&amp;postID=110989282586881417' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110989282586881417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110989282586881417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estroapriori.blogspot.com/2005/03/d-lus-delgado-o-benzodiazepnico.html' title='D. Luís Delgado - O Benzodiazepínico Moralizante'/><author><name>Diletante a priori</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14443922015971556315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/ris.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9453693.post-110971903797658989</id><published>2005-03-01T23:12:00.000Z</published><updated>2005-03-01T23:36:46.646Z</updated><title type='text'>'Portugal: o medo de extinguir', por Álvaro Domingues</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;p&gt;Li uma prosa deliciosa no Público de hoje e não consegui, obviamente, conter-me... era preciso 'republicá-la' aqui [isto é ilegal, não é?]. Ora leiam:&lt;/p&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;p&gt;          «Como se já não bastasse a fístula do gato, os guinchos do autoclismo, o arrefecimento global e os acidentes na estrada, certo livro que por aí anda não faz nada bem ao colectivo. Temos a sombra branca, o corpo aberto, a inveja e o medo alojados no código genético, o terror a tolher-nos a vesícula, a amnésia, a gripe espanhola, o fantasma da ópera, os salários em atraso, o défice da Segurança Social, o deixa-andar, os mortos esquecidos, o fogo de Santo Antão, a escrófula no pescoço, e o mais que cabe numa mão-cheia de páginas inteirinhas a zurzir a alma pátria perdida algures entre a Cava do Viriato, o Portugal dos Pequenitos, a janela do Convento de Cristo, o cabo de Sagres e as caixas do Multibanco. &lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;p&gt;           Eu, paralisado, embrulhado na consciência de mim feita em gravetos à procura dos traumas primordiais alojados nas mais finas raízes de uma floresta genealógica esquecida. Afonso Henriques não sai da porta da Casa Branca exigindo ser recebido pelo Bush para lhe dizer que os árabes estão em Lisboa e que precisa de reforço militar para libertar a cidade do eixo do mal; Egas Moniz vagueia com a corda ao pescoço na Avenida Castelhana, insistindo que tem de falar com o rei e já não têm conta os internamentos por suspeita de suicídio e ameaça à integridade de Suas Altezas os Reis de Espanha; Diniz não larga os serviços de protecção civil e o corpo de bombeiros, exigindo um plano contra os incêndios para o pinhal de Leiria; Inês morta e depois louca perde-se nas burocracias dos tribunais clamando por Pedro, pela guarda de seus filhos e por vítima de violência doméstica e assassinato; Afonso Domingues recusa-se a sair da sala do capítulo de Santa Maria da Vitória, explicando aos turistas que aquela abóbada nunca cairá e insiste que todos joguem à macaca e batam com os pés no chão para provar que assim é; Luís Vaz sentou-se no colo de Pessoa a beber cafés, a dizer mal da "Mensagem", dos heterónimos, dos heteróclitos, do Saramago, do Lobo Antunes, assediando adolescentes para uns bacanais na Ilha dos Amores; Sebastião vive errante no aeroporto de Casablanca bramindo uma espada partida, teimando que precisa de um passaporte, de um avião e de nevoeiro para regressar e que não quer saber das leis da emigração e do que diz o pessoal da torre de controlo, explicando-lhe que com nevoeiro cerrado os aviões não descolam e que nem sonhe trazer cavalos brancos para a gare das partidas; Pombal, a dormir em cartões na Rotunda do Marquês, ameaça as pessoas com um terramoto que está iminente e obriga-as a assinar uma lista de apoiantes à sua candidatura à Câmara de Lisboa sob pena de serem todos degolados como os Távora; Amélia não quer saber do acidente de Camarate, exigindo a reabertura do processo da rede bombista e o total esclarecimento das condições que levaram ao assassinato d"el rei seu esposo e do JFK; Salazar arruma carros na Avenida da Boavista e quer que lhe paguem em barras de ouro para aumentar os cofres do tesouro, vociferando contra a fuga ao pagamento da licença de porte de isqueiro, contra o Humberto Delgado, contra o Bloco de Esquerda e que manda toda a gente para o Tarrafal e que os polícias são uns tansos; Amália canta, Lúcia morreu e o Eusébio ameaça ir para o Chelsea.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;p&gt;         A minha Maria Augusta fechou-se no sótão por causa desses fólios e jura que nunca mais de lá sai nem que tenha que comer ratos e listas telefónicas velhas e fuma obsessivamente rolos de cotão embrulhados em teias de aranha até que lhe chocalhe o cérebro mirrado sempre que move e nega a evidência em que muda se quedou fechada em si. Cai-lhe o cabelo para dentro da cabeça e com isto se entrelaçam, como no ralo da banheira, meadas enguiçadas em novelos que se enredam nas pregas azougadas dos hemisférios ressequidos. &lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;          Maria Augusta, tens que sair daí para ir votar! E ela, nada. Maria Augusta anda para a sala ver os debates na televisão! E ela, nada. Maria Augusta anda ver o meu país de marinheiros! E ela, nada. Maria Augusta, eu quero amar, amar, perdidamente! E ela, nada. Maria Augusta, o telemóvel está tocar! E ela, nada. Maria Augusta, anda ver os Morangos com Açúcar. E ela, nada. Maria Augusta, olha o nevoeiro branco! Pé ante pé, como que tomando por epifania cada degrau do sótão, Maria Augusta desce finalmente a escada. Onde? Ali na parede a esguichar do extintor! É neve carbónica, m"ôr, não vês que é neve carbónica? Hã, então é isso e eu que me julgava perdida. Neve carbónica, m"ôr, tanta retórica por causa de um extintor. São Lourenço permita que nunca mais ninguém me ponha a assar a mioleira.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;         E assim termina a história. O Gil foi ao São Bartolomeu do Mar oferecer uma galinha preta e uma cabecinha de cera e ficou curado. A Maria Augusta e eu habitamos outra vez o mesmo lugar. O gato curou-se da fístula e a andorinha de louça que estava na parede deixou finalmente de tomar os ansiolíticos para o impensável genealógico que lhe tolhia os movimentos.»&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;p align="right"&gt;Álvaro Domingues, no Público de 1 de Março de 2005&lt;/p&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9453693-110971903797658989?l=estroapriori.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estroapriori.blogspot.com/feeds/110971903797658989/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9453693&amp;postID=110971903797658989' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110971903797658989'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110971903797658989'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estroapriori.blogspot.com/2005/03/portugal-o-medo-de-extinguir-por-lvaro.html' title='&apos;Portugal: o medo de extinguir&apos;, por Álvaro Domingues'/><author><name>Diletante a priori</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14443922015971556315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/ris.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9453693.post-110938315508363049</id><published>2005-02-25T18:40:00.000Z</published><updated>2005-02-27T12:13:52.813Z</updated><title type='text'>Reconhecer os sucessos alheios e escutar quem sabe</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É um já um hábito “roubar” o &lt;em&gt;Público&lt;/em&gt; à minha portentosa professora de História no final das aulas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Posso ver o seu jornal, setôra?&lt;br /&gt;- Pode, pode… veja o artigo sobre Cesário Verde.&lt;br /&gt;- Ah, obrigada, setôra. – não vejo o artigo. Começo, como sempre, a folhear o jornal desde o final. Vasco Pulido Valente não me escapa. – Já leu o Pulido Valente, setôra?&lt;br /&gt;- Ainda não li, vou ler agora ao almoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leio-lhe algumas passagens. Rimos e, a dada altura, a Senhora Professora diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe que &lt;strong&gt;este homem é uma mente irrequieta&lt;/strong&gt;… Como o Pacheco Pereira. Eles fazem parte de um grupo de homens que andaram a saltitar de um lado para o outro e não encontram o sítio certo para se estabelecerem. Entretanto, nunca se calaram. O V.P.V. é um homem que nunca se cala…&lt;br /&gt;- Às vezes não gosto do que ele diz, mas hoje, tenho de concordar, está prodigioso. Não acha que ele é muito “britânico” a escrever?&lt;br /&gt;- Acho. Estrutura tudo muito bem, é conciso e acaba “com chave de ouro”.&lt;br /&gt;- Pois é. Quem me dera ser assim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mas menina também é capaz das duas patinagens artísiticas...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Quando calha. Todos somos. Basta não esperarmos por elas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fazendo justiça à &lt;a href="http://jornal.publico.pt/noticias.asp?a=2005&amp;m=02&amp;amp;amp;d=25&amp;id=8714&amp;amp;sid=912"&gt;prosa de V.P.V&lt;/a&gt;., vou “republicá-la” aqui:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Na noite de 20 de Fevereiro, Paulo Portas resolveu dizer que tinha chegado o fim de um "ciclo" e toda a gente começou logo a falar do "ciclo" e do seu fim, como se fosse óbvio que política portuguesa se dividia por "ciclos" e que de repente começava um novo. Mas, tirando a infantilidade clássica ("até aqui não valeu, agora é que é a sério"), não se vê muito bem que mudança nos separa tão nitidamente do passado. A derrota de Santana e Paulo Portas não acaba por si só com o populismo. Nem um, nem outro o inventaram e a sociedade que o permitiu e lhe deu força continua na mesma. Pior: se alguma coisa, em 20 de Fevereiro, o populismo, como está na sua natureza, passou em parte, da extrema-direita para a extrema-esquerda, do PP e Santana para o "Bloco" de Louçã. Além disso, os dois "partidos do regime", o PS e o PSD não parecem perto da reforma. Para começar, encheram a Assembleia da República com a tropa fandanga que precisamente se trata de remover. E, depois, nunca um "aparelho" se limpou de "interesses", de "caciques", de "facções" com a eleição directa do "chefe", que hoje (e apesar do exemplo inquietante Sócrates) se tornou uma espécie de panaceia. O PS no governo e o PSD na oposição não podem deixar de ser o PS e o PSD que nós conhecemos, quando o PSD era o governo e o PS a oposição. A reforma dos "partidos do regime" depende evidentemente da reforma do regime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não chega a enorme maioria do PS para inaugurar um ciclo "socrático", como as maiorias de Cavaco acabaram por fazer o "cavaquismo"? Não chega. Até admitindo a equivalência de Cavaco e Sócrates, que, pelo menos por enquanto, implica uma certa imaginação, o país de 1985 nem de longe se compara ao país de 2005. Falido, estagnado e arcaico, Portugal precisa que o levem à força e à má cara para o mundo real, que os portugueses detestam. Os valores de uma cultura camponesa pobre, como a nossa, são a segurança e a rotina. Nada mais contrário ao que nos propõem: a iniciativa, a competição, o risco. A ideia de que algumas "políticas", sempre copiadas daqui ou dali, nos conseguem converter à "modernidade" é uma ilusão muito velha e pouco original. Sócrates vai bater com a cabeça no défice, na economia, no Estado, nas corporações, nos mil e um direitos que se acham eterna e justamente "adquiridos". A saída de Santana e Portas vale o que vale: um alívio. Não vale um novo "ciclo".»&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Vasco Pulido Valente no &lt;em&gt;Público&lt;/em&gt; de 25.02.05&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Enfim...&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; escutar quem sabe e reconhecer as patinagens artísticas dos outros é meio caminho andado para termos as nossas, um dia. A arrogância é tão útil aos que aspiram a alguma sabedoria como um telescópio astronómico o é a um sapateiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9453693-110938315508363049?l=estroapriori.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estroapriori.blogspot.com/feeds/110938315508363049/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9453693&amp;postID=110938315508363049' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110938315508363049'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110938315508363049'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estroapriori.blogspot.com/2005/02/reconhecer-os-sucessos-alheios-e.html' title='Reconhecer os sucessos alheios e escutar quem sabe'/><author><name>Diletante a priori</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14443922015971556315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/ris.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9453693.post-110933623839129265</id><published>2005-02-25T12:24:00.000Z</published><updated>2005-02-25T17:24:23.390Z</updated><title type='text'>O Howard Hughes do Catolicismo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;p&gt;Tudo o que é excessivamente mediático me causa uma certa irritação e também, quase sempre, enorme desconfiança, mesmo tendo esse mediatismo uma dimensão "humanitária" ou solidária. Ramos Horta, Sting ou Bono, Princesa Diana e Madre Teresa de Calcutá são personagens que me despertam alguma repulsa, na medida em que têm sido acarinhadas de forma exacerbada. Karol Wojtyla, o sumo pontífice da ICAR (eheheh), não é excepção. Provavelmente, grande parte da culpa de isto ser assim nem sequer é dele. Os meios de comunicação são todos, ou quase todos, formados por gestores engenhosos que reconhecem, na maioria das vezes, a melhor forma de lucrar com a sua actividade. No entanto, quando João Paulo II era ainda projecto de Papa, apenas aspirando a essa condição, sabia bem que essa sua "actividade" de líder espiritual iria ter grande repercussão na vida pública internacional, e assim, se o seu objectivo era mesmo seguir as pisadas de Cristo e envagelizar os infiéis e converter outros, digamos que não escolheu o melhor meio de o fazer. A hierarquia eclesiástica cristã é, claramente, a primeira questão discutível quando se fala da legitimidade do catolicismo. Somos todos irmãos, mas há uns mais irmãos que outros, que é como quem diz, há uns que usam anéis de ouro e têm equipas de dezenas de médicos a trabalharem para o seu bem-estar sempre que têm a saúde ameaçada. &lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;p&gt;Fico indignada quando leio, em órgãos de comunicação social, títulos no género de «&lt;em&gt;Papa Já respira sem ajuda&lt;/em&gt;». Ora, se os papas o fossem por direito hereditário, decerto teríamos títulos do estilo «&lt;em&gt;Papa Júnior já sabe andar&lt;/em&gt;» ou «&lt;em&gt;Papinha já sabe cortar o bife com a faca de serrilha&lt;/em&gt;». Felizmente, os papas são todos solteiros e só têm filhos clandestinos; de outro modo, seríamos assolados por um imenso tédio, como o sentido por aquele indivíduo numa publicidade televisiva da PT, na qual um casal havia fotografado com a câmara do telefone fixo, os 900 passos do seu Joãozinho e os mostrava a esse senhor, que adormecia à medida que os passos apareciam. Para uma comparação menos &lt;em&gt;popularucha&lt;/em&gt;, digamos que, se tal acontecesse, toda a gente desejaria, em vez de ler notícias sobre o Papado e o Papadinho, ver filmes do Manoel de Oliveira. &lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;p&gt;Com tal aproveitamento da figura do chefe da ICAR, também não me admira que a TVI se lembre de criar um &lt;em&gt;reality show&lt;/em&gt; para apurar a figura que irá substituir João Paulo II, assim que ele morrer. Como responderia Paulo Portas a estas afirmações se fosse presidente da TVI: "&lt;em&gt;Dignidade?! Nós queremos é audiências!&lt;/em&gt;".&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;p&gt;Enfim...&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; até no catolicismo temos Howards Hughes!&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9453693-110933623839129265?l=estroapriori.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estroapriori.blogspot.com/feeds/110933623839129265/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9453693&amp;postID=110933623839129265' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110933623839129265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110933623839129265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estroapriori.blogspot.com/2005/02/o-howard-hughes-do-catolicismo.html' title='O Howard Hughes do Catolicismo'/><author><name>Diletante a priori</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14443922015971556315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/ris.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9453693.post-110928555985444504</id><published>2005-02-21T18:40:00.000Z</published><updated>2005-02-24T22:52:39.860Z</updated><title type='text'>"Mas o que é isto?! Fico chateado, com certeza que fico chateado!"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;        Entrava-se no século XX quando o sociólogo Émile Durkheim decidiu elaborar um estudo sobre o suicídio, cujo método de investigação serviu, posteriormente, de paradigma para a forma como se processa geralmente a investigação na Sociologia moderna. Com efeito, Durkheim soube substituir variáveis de ordem naturalista e subjectiva para explicar este fenómeno, e fê-lo utilizando factores de ordem social. E, de facto, resultou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        É sabido que a sociolatria preconizada por outro sociólogo, ou pré-sociólogo, se preferirem, de seu nome Auguste Comte, continua a dar cartas nos nossos dias. Por isso, um grupo de sociólogos das mais diversas nacionalidades dirigiu-se, muito secretamente, nesta segunda-feira, para o nosso país – tudo isto depois de ter ido uma apressada reunião para definir os caminhos de uma sigilosa (ou não…) investigação sociológica no nosso país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Por amor à humanidade na sua versão menos solidária, isto é, na sua organização em sociedade, estes investigadores de ilustre cepa vão estudar um dos mais preocupantes fenómenos sociológicos do nosso século que é, exactamente, o &lt;strong&gt;masoquismo [moral] juvenil&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      O masoquismo juvenil é considerado um flagelo sociológico, na medida em que prejudica não só o presente das camadas mais jovens da sociedade, mas também o seu futuro e, consequentemente, o futuro dos seus filhos ainda não projectados. Questionado sobre a importância deste fenómeno, o sociólogo japonês Yaminabo Taduro respondeu ao nosso jornalista que «&lt;em&gt;o masoquismo juvenil é muito grave e pode, inclusivamente, dar frutos. Uma vez masoquista, é-se masoquista para toda a vida.&lt;/em&gt;». No entanto, não conseguimos descobrir exactamente por que razão este grupo de investigação quer estudar este “flagelo” no nosso país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Por sua vez, a psicossocióloga ucraniana Novaja Economičeskaja Politika, porta-voz do grupo, quando confrontada com certas e determinadas perguntas indignou-se e bradou: «&lt;em&gt;mas o que é isto?! Chego lá acima e dizem-me que não sei quê, agora aqui já é assim?! Ah e tal?! Ah e tal, não! Deixem-me trabalhar, não respondo a mais nada.&lt;/em&gt;». Tentámos abordá-la quando já parecia estar mais calma, cerca de 45 minutos depois, no bar do Centro de Congressos de Cascais, mas continuámos a não obter quaisquer respostas concretas. Desta vez, ouvimos Novaja comentar com o seu assistente: «&lt;em&gt;estou muito arrependida de ter aceite este trabalho. Efectivamente, não há nenhum pais civilizado onde a diferença nas eleições legislativas entre trotsquistas e democratas-cristãos seja de apenas um ponto. Eu já devia ter calculado que este país era demasiado fascizóide para o meu gosto. Vamos para Cuba, fofo?!&lt;/em&gt;»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Aparentemente, devo concordar, nada de importante justificaria a vinda destes profissionais ao nosso país. Mas se nos concentrarmos bem nos acontecimentos político-institucionais dos últimos dias, podemos chegar a conclusões claras e dizer, tal como Arquimedes, “&lt;em&gt;Eureka!&lt;/em&gt;”, enquanto corremos nus pelas ruas (está bem, está bem, esqueçam a parte freudiana da questão…). Então não é tão fácil perceber que a atitude da Juventude Popular de apelar à permanência de Paulo Portas como líder do CDS-PP é um fenómeno de masoquismo juvenil que poderá afectar, a curto ou médio prazo, grande parte da classe etária mais jovem da nossa sociedade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Os redactores dos blogues políticos e das outras instituições afins são sempre muito subtis. Eles não têm opiniões. São até raríssimos os que dizem “&lt;em&gt;eu acho&lt;/em&gt;” (versão Marcelo Rebelo de Sousa de “&lt;em&gt;eu penso&lt;/em&gt;”) ou “&lt;em&gt;cá para mim&lt;/em&gt;”. Os factos existem, e é para honrar a verdade que os blogueiros existem. Mas eu gosto de ser diferente, caríssimo leitor – e agora poderia o leitor perguntar-me, com muita razão, “mas será que és?”, ao que eu responderia automaticamente: “ainda bem que faz essa pergunta!”, e assim por diante. E é por gostar de ser diferente que eu preciso de dizer aqui que acho as juventudes partidárias uma perfeita palhaçada. Como disse já alguém próximo de nós no universo blogueiro, a disciplina de Introdução à Política faz falta. Sem ela, não há jovem capaz de fazer uma única opção política, a menos que receba a devida formação em casa ou que se auto-instrua. Ora isto, para a maioria dos jovens portugueses, não pode ser uma realidade. Assim sendo, o caso poderá ser gravíssimo, como aconteceu numa certa escola há exactamente dois anos lectivos: um aluno que pertencia à JSD conseguiu [!!!] convencer toda a sua turma (com duas ou três honradíssimas excepções) a tornar-se também militante da JSD. Agora compreendo como o Partido Social-Democrata permitiu que Pedro Santana Lopes se tornasse seu militante, enquanto já lá tinha gente como José Pacheco Pereira, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Neste caso, ao contrário do caso do abaixo-assinado da Juventude Popular, este fenómeno de masoquismo juvenil foi inconsciente. A moda e os estereótipos têm destas coisas. Bom, talvez eu esteja a fazer uma ‘desgeneralização’ precipitada, pois será que alguém, em consciência, se torna democrata-cristão? Bem sei, bem sei: há que pôr de parte todos os obstáculos epistemológicos. Mas é possível ser-se objectivo num país onde um candidato a Primeiro Ministro chama bárbaro a um povo que ele próprio quer governar? Caso para dizer, como é costume dizer-se a todos os jovens enquanto são jovens (adoro redundâncias!), que ainda vão mudar de ideias. Ou como diria alguém que ultimamente conhecemos bem: ”&lt;em&gt;gostas do CDS? Ah e tal, porque és jovem…!&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      &lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;  Enfim…&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; haja juízo! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9453693-110928555985444504?l=estroapriori.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estroapriori.blogspot.com/feeds/110928555985444504/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9453693&amp;postID=110928555985444504' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110928555985444504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110928555985444504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estroapriori.blogspot.com/2005/02/mas-o-que-isto-fico-chateado-com.html' title='&quot;Mas o que é isto?! Fico chateado, com certeza que fico chateado!&quot;'/><author><name>Diletante a priori</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14443922015971556315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/ris.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9453693.post-110843103373215336</id><published>2005-02-15T01:27:00.000Z</published><updated>2005-02-16T02:23:06.936Z</updated><title type='text'>POLUIÇÃO - uma abordagem meramente estética (e feminina?) das campanhas eleitorais</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Campanha eleitoral é, quase sempre, sinónimo de poluição. Se já em ocasiões de alguma normalidade as pessoas e os políticos (a divisão foi propositada) aceitam mal o silêncio e a discrição cromática, em época pré-eleitoral parece-me muito difícil haver alguma contenção a este nível. Temos tido, nos últimos dias, diversos exemplos flagrantes que ilustram fielmente a realidade que acabei de expor e que não podem, de forma alguma, passar incólumes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;p&gt;Lembro-me, sobretudo e em primeiro lugar, desse caso de aberração cromática que vulgarmente se designa por “Comício do PSD”, capaz de entristecer qualquer &lt;em&gt;pavo cristatus&lt;/em&gt; (mais conhecido por &lt;strong&gt;pavão&lt;/strong&gt;) em época de acasalamento, tal é o sentimento de inferioridade estética que causa ao bichinho. Quer-me parecer, talvez com alguma razão, que o PSD também tem o seu pavão – sem ofensa, obviamente, para os pavões, que, graças à infinita generosidade da Natureza, têm penas que condizem muito melhor entre si que as habituais gravatas do líder-pavão do Partido Social Democrata com o restante da sua indumentária. Chega a ser pouco saudável, digo eu que de oftalmologia pouco ou nada compreendo, sermos surpreendidos por um fato cinzento com finas riscas claras, camisa assalmonada, gravata azul turquesa e cachecol cor de laranja do Barreiro pós-revolução industrial com os dizeres “JSD” a meio de um zapping aparentemente inofensivo… o grito do líder-pavão, ainda que rouco, é muito mais alucinatório (no mau sentido da palavra) que o do pavão-bicho (espero que tenham conseguido compreender a diferença entre os espécimes…).&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;p&gt;Ao nível da poluição auditiva provocada pela campanha do PSD, acho conveniente ainda referir o hino cuja letra todos conhecem, certamente, e que reza mais ou menos assim: «&lt;em&gt;Paz, Pão/ Povo e Liberdade/Todos sempre unidos/No caminho da verdade…&lt;/em&gt;»… se a tudo isto juntarmos, provavelmente, uma das piores composições melódicas de Paulo de Carvalho (tenho, queridos leitores, alguma dificuldade em desculpar deslizes…), obtemos a receita para um ruído muito mais incomodativo que o de toda a frota da Rodoviária de Lisboa e da Carris a passar à nossa frente em conjunto e a alta velocidade, com um Mercedes de 1965 atrás sem travões (claro que o seu condutor tenta travar, daí a maior parte do barulho), dentro do qual um indivíduo com um megafone transmite um &lt;em&gt;remix&lt;/em&gt; das versões electrónicas do &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Molto Vivace&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; (segundo andamento) da 9ª Sinfonia de Beethoven usadas na obra-prima cinematográfica &lt;a href="http://www.imdb.com/title/tt0066921/"&gt;Laranja Mecânica&lt;/a&gt;, com alguma canção dos Madredeus (onde nunca pode faltar, é claro, a cristalina voz de Teresa Salgueiro). Pior do que isto só mesmo o líder do partido em questão lembrar-se de pegar numa criança ao colo com ar paternalista e obrigá-la, qual tortura prisional chinesa, a voltar a proferir aquilo que, sob pena de não poder voltar a assistir aos desenhos animados japoneses dobrados em espanhol do Canal Panda (22 na TVCabo – não aconselho a pessoas sensíveis!), já os pais a tinham obrigado a dizer: «&lt;em&gt;vais ganhar!&lt;/em&gt;» (e ainda querem os pais que os filhos os respeitem...). Como se não bastasse, a criança recebeu de seguida um beijo do líder partidário do PSD, o que em países ditos civilizados já seria alvo de investigação por parte da Polícia Judiciária.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;p&gt;As campanhas dos partidos Socialista e Democrata-Cristão (foi louvável a atitude deste último partido e do PSD de falar ao coração das gentes cristãs e “suspender” a campanha por causa da morte de Irmã Lúcia, ícone da alienação popular – no sentido do materialismo histórico marxista – suspensão essa que não é, aqui para nós que somos inteligentes, mais do que uma manobra de campanha) parecem-me igualmente poluentes, com algumas diferenças que as tornam, grosso modo, mais aceitáveis que a do PSD. Por exemplo: o sorriso cínico e confiante de Paulo Portas nos seus cartazes que apelam ao “&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Voto Útil&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;” é bastante suportável (afinal, com Bush ofuscado pelo brilhantismo governativo de Condoleezza Rice, de quem nos riremos nós, por ora?), o &lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;azul-marinho&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; («&lt;em&gt;In the Navy...&lt;/em&gt;») com o &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffcc00;"&gt;amarelo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, embora me lembre uma cozinha que vi na 'Casa Cláudia' há tempos, é bem mais agradável que a cor &lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;laranja&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;. Mesmo o hino do CDS, comparado com o tropeção harmonioso de Paulo de Carvalho, me parece bastante mais erudito. Já o PS tem as suas vantagens estéticas no facto de José Sócrates ser muito mais giro que Santana Lopes e se vestir quase sempre melhor que ele (tirando, obviamente, quando usa casacos axadrezados ao estilo Kasparov – outro senhor que se fosse consultor de moda tinha tido muito menos sucesso - , se bem que aquelas golas altas lhe ficam a matar!). Temos de reconhecer que, depois do desaparecimento súbito do espectro de Ferro Rodrigues no seio do Partido Socialista, o ambiente &lt;strong&gt;aparente&lt;/strong&gt; da política nacional parece mais airoso – e o mesmo podemos dizer da ida de Durão Barroso para a presidência da Comissão Europeia que, coitado, também não deve muito à beleza. Os cartazes do PS têm, também (sejamos justos, vá lá!), muito mais conteúdo que os dos restantes partidos referidos, que se resumem ora à demonstração da jactância dos líderes partidários, ora ao ataque aos seus opositores nesta campanha.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;p&gt;Mais limpas e sóbrias estão, sejamos justos novamente, as propagandas comunistas. Abstraindo-me dos valores aos quais está adjacente o rumo da campanha da CDU (alguns dos quais, sem medo nem vergonha de o assumir, eu professo), não posso deixar de reconhecer que tem sido louvável a sua discrição. Jerónimo de Sousa, apesar de clássico, tem um estilo descontraído e informal que me inspira confiança. Pergunta-me agora o leitor se a aparência importa? Importa, claro. Importa porque as pessoas que parecem simples são, quase sempre ou mesmo sempre, as mais interessantes; experimentem perguntar a senhores de gosto apurado se lhes agradam mais os umbigos de fora ou o mistério de um ventre coberto, cuja perscrutação só se consegue com, no mínimo, algum esforço . Talvez por não ter a quantidade de capital necessária para mandar encher as ruas, o chão, as paredes e as caixas de correio do país (inclusive as que têm um aviso no género de “&lt;em&gt;Não desejo receber publicidade ou propaganda&lt;/em&gt;”) de papel (que nem sequer será reciclado, creio…) a CDU passa mais despercebida, também porque tem sido claramente prejudicada no que respeita ao tempo de antena, relativamente a outros candidatos. E não é por ser de esquerda, porque se repararmos bem, Francisco Louçã é sempre o primeiro a falar sobre qualquer assunto polémico que surja &lt;em&gt;au petit Portugal&lt;/em&gt; (bom, talvez seja justo: não nos esqueçamos que a opinião do senhor tem suma importância nas decisões nacionais, &lt;strong&gt;ou não tivesse ele gerado vida!&lt;/strong&gt;).&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;p&gt;Enfim…&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;termino com uma observação cívica: só espero que ali pelos semáforos do Restelo, mesmo em frente à Escola Secundária e ao hospital de S. Francisco Xavier não se voltem a verificar acidentes de viação… é que com dois cartazes do PSD, um do CDS-PP e outro do PS, será difícil que os condutores se concentrem no volante… e porque será que os cartazes da esquerda vão parar sempre às rotundas? Saberão que prevenir é sempre melhor que remediar?&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9453693-110843103373215336?l=estroapriori.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estroapriori.blogspot.com/feeds/110843103373215336/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9453693&amp;postID=110843103373215336' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110843103373215336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110843103373215336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estroapriori.blogspot.com/2005/02/poluio-uma-abordagem-meramente-esttica.html' title='POLUIÇÃO - uma abordagem meramente estética (e feminina?) das campanhas eleitorais'/><author><name>Diletante a priori</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14443922015971556315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/ris.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9453693.post-110729840076006932</id><published>2005-02-01T22:49:00.000Z</published><updated>2005-02-03T22:42:20.223Z</updated><title type='text'>Crianças e Colos - por José Vítor Malheiros no Público de 1 de Fevereiro de 2005</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;«Gustave Flaubert escreveu um "Dictionnaire des idées reçues", publicado postumamente, onde apresenta uma miscelânea de lugares comuns que foi acumulando ao longo da vida. Se fosse publicado hoje poderia chamar-se "Dummies guide para conversação de sociedade", ou algo do género. Aí apresenta, entre outras pérolas, uma lista dos adjectivos mais adequados para usar com diferentes substantivos sem correr o risco da originalidade, como por exemplo (não sei se cito se invento) "Imaginação - sempre prodigiosa", "Vegetação - sempre luxuriante", etc. Não me recordo se "Insinuação" é uma das entradas, mas se fosse certamente que o adjectivo que o acompanharia seria o comum "torpe". &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A insinuação é uma arma retórica de grande peso pois permite dizer sem dizer e, principalmente, dar a entender que se diz sem se ter dito e sem se ter provas do que se diz. Não é preciso saber nada para se insinuar algo, não é preciso ter uma ideia. Quando se insinua, não só não é necessário justificar o que se disse como se pode até jurar que não se disse. É um ataque que não exige coragem nem permite defesa, que se esconde na própria fuga, dissimulado e inimputável. &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A insinuação é o grau zero da dignidade do discurso, uma espécie de fogo de vista ao contrário, que cria do nada uma girândola de imundície. &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os últimos dias viram esta arma ser usada de forma relevante por duas vezes no discurso de dois dirigentes políticos: primeiro por Francisco Louçã, depois por Santana Lopes. &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Francisco Louçã deveria saber que, para além dos tradicionais apoiantes das principais formações políticas que deram origem ao Bloco de Esquerda (que continuarão a sonhar com a revolução proletária mundial e a ditadura do proletariado), este conseguiu captar uma nova camada de eleitores, urbana e moderna, que se reconhecem em particular nas medidas sociais apoiadas pela organização, da luta contra a discriminação dos homossexuais ao combate à fraude fiscal. É por isso não apenas torpe mas também politicamente insensato que Louçã se tenha atrevido a levar onde levou a sua argumentação contra Paulo Portas. As infelizes frases poderiam ter sido um deslize, mas a sua repetição "ad nauseam" no próprio debate, a sua defesa posterior (por Louçã e outros dirigentes do BE), a sua tentativa de esconder atrás das posições do Bloco sobre o aborto uma utilização da vida privada de um adversário para o neutralizar e uma ameaça à devassa da sua vida privada tornam o facto particularmente desqualificante. A pose moralista de Louçã pode ser ou não simpática, mas do que não há dúvidas é que não permite estes desvios sem pôr em causa o conteúdo do seu discurso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A única atitude admissível teria sido um cabal pedido de desculpas a Paulo Portas e aos portugueses - o que não aconteceu, apesar de o BE ter tentado dar a entender que teve lugar. A tirada de Louçã não teria tido efeito noutro partido. No caso do Bloco fez-lhe perder votos. &lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O mesmo baixo truque, de efeito político duvidoso, foi tentado mais recentemente por Santana Lopes, pendurado ao colo das mulheres sociais-democratas. É verdade que Santana Lopes, apesar de primeiro-ministro, não está obrigado a respeitar qualquer fasquia de dignidade ou de coerência graças às conquistas do seu currículo, mas a sua insinuação apouca-nos a todos. Alguém lhe poderá dizer isso? Alguém lhe poderá dizer que temos o direito (e ele o dever) de não baixar o discurso a este nível? Alguém lhe poderá dizer que deve falar de política e que tudo o que se espera dele é que diga o que pretende fazer com os votos que os portugueses lhe vão dar? Já não se lhe pede que seja brilhante, mas não será que alguém o poderá chamar à simples decência?»&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;Enfim...&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;em&gt;na mouche&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;!&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9453693-110729840076006932?l=estroapriori.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estroapriori.blogspot.com/feeds/110729840076006932/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9453693&amp;postID=110729840076006932' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110729840076006932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110729840076006932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estroapriori.blogspot.com/2005/02/crianas-e-colos-por-jos-vtor-malheiros.html' title='Crianças e Colos - por José Vítor Malheiros no Público de 1 de Fevereiro de 2005'/><author><name>Diletante a priori</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14443922015971556315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/ris.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9453693.post-110728047964296829</id><published>2005-02-01T16:38:00.000Z</published><updated>2005-02-03T22:57:53.240Z</updated><title type='text'>«A Criada do Albergue do Pé Quebrado»</title><content type='html'>Comecei hoje a ler um livro que me foi muito bem recomendado e que, aliás, pela forma como me acorrentou às poucas páginas já lidas (mesmo tendo o trânsito lisboeta por banda sonora) me parece interessantíssimo. Trata-se d' &lt;a href="http://www.cavalodeferro.com"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;A Vida Sexual de Immanuel Kant&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;/a&gt;do filósofo francês e biógrafo de Kant, Jean-Baptiste Botul. O livro contém as cinco conferências proferidas por Botul na comunidade neo-kantiana de Nueva-Königsberg no Paraguai, em 1946 - sim, sim... eu disse "comunidade neo-kantiana"... mas sobre isto vou falar-vos mais tarde, bem como da obra citada. Quero apenas dizer-vos que para o autor do livro em causa «a sexualidade de Kant é o principal caminho que conduz ao conhecimento do kantismo» e «a sexualidade kantiana não está na sua vida mas na sua obra», isto para que não considerem a ideia de estudar/comentar a vida sexual de Kant despropositada. Até agora, o Senhor Jean-Baptiste convenceu-me. Esperemos que não arranje, para argumentar a favor da sua tese, argumentos freudianos de sustentabilidade duvidosa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como devem ter reparado tenho andado para aqui com subterfúgios. A verdade é que queria postar aqui uma coisa de irrevogável valor cultural. Trata-se de um poema de Diderot, filósofo-poeta francês das Luzes (é impressão minha ou, recentemente, também ouvimos falar de um sociólogo-poeta nacional? Terá o iluminismo influenciado, até à actualidade, as mentes brilhantes da nossa aldeia?) que me despertou algumas gargalhadas ruidosas. O poema está inserido no livro a propósito de uma observação do autor, na qual ele lamenta que Kant não tenha conhecido o seu contemporâneo Diderot (apesar de o último ter visitado a Königsberg alemã, da qual Kant nunca saiu), sugerindo que a divergência de naturezas (uma muito casta e a outra, como veremos já, assaz libertina) seria causa de interessantes "trocas de ideias" entre estes iluminados. Para que os meus amabilíssimos leitores não desesperem, aqui vai:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«&lt;em&gt;&lt;strong&gt;A Criada do Albergue do Pé Quebrado&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela é uma bela, uma linda rapariga&lt;br /&gt;Por quem enlouquece toda a gente em Riga&lt;br /&gt;Ela é criada do Pé Quebrado&lt;br /&gt;Por um óbulo lhe tirei o toucado&lt;br /&gt;Por dois tostões e meio... Por dois tostões e meio&lt;br /&gt;Pois então, que fizestes? Apalpei-lhe um seio&lt;br /&gt;E por um escudo vosso, um escudo de lei&lt;br /&gt;Que haveis feito depois? O seu cu espreitei&lt;br /&gt;E por dois escudos, então, que pudeste fazer?&lt;br /&gt;Ora essa, tomar-lhe a cona e foder.&lt;br /&gt;Assim pelo óbulo, pelos escudos e tostões&lt;br /&gt;Tive mama, cu e cona, mais sífilis nos colhões&lt;br /&gt;E tudo isto num ápice, é bom fazer notar&lt;br /&gt;Porque o homem que a amparou&lt;br /&gt;Dez vezes esta soma pagou&lt;br /&gt;E seis meses suspirou para o mesmo alcançar&lt;span style="font-size:85%;"&gt;*&lt;/span&gt;.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;Enfim...&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; perante tal genialidade, pouco me resta dizer. Ainda assim, posso prometer que vou procurar o original &lt;em&gt;en Français&lt;/em&gt;... deve soar lindamente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;*Este poema encontra-se no &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Inventaire du fonds Vandeul et inédits de Diderot&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, editado por Herbert Dieckmann, Genebra, 1951.&lt;span style="color:#993300;"&gt; [nota do livro]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9453693-110728047964296829?l=estroapriori.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estroapriori.blogspot.com/feeds/110728047964296829/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9453693&amp;postID=110728047964296829' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110728047964296829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110728047964296829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estroapriori.blogspot.com/2005/02/criada-do-albergue-do-p-quebrado.html' title='«A Criada do Albergue do Pé Quebrado»'/><author><name>Diletante a priori</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14443922015971556315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/ris.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9453693.post-110652274532809478</id><published>2005-01-23T22:11:00.000Z</published><updated>2005-01-24T00:46:56.380Z</updated><title type='text'>"Porquê ler Marx hoje?"</title><content type='html'>&lt;div class="Section1"&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 17pt"&gt;Acabei, há tempos, de ler um livro chamado "&lt;strong&gt;Porquê ler Marx Hoje?"&lt;/strong&gt; (Livros Cotovia, 2003), de Jonathan Wolff, professor de Filosofia no University College de Londres. É um livro muito interessante, com uma linguagem muito acessível (apesar da complexidade do pensamento marxista) e, sobretudo, algo inspirador - não se preocupem, que não vou começar agora a conspirar doutrinas político-económicas extremistas. No entanto, para que não se queixem da minha inactividade crónica, vou transcrever pequenas partes do livro (mais precisamente da introdução e da conclusão) que, a meu ver, representam bem a intenção do autor do livro quando o nomeou. Tomo também a liberdade de fazer algumas intromissões opinativas a vermelho &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;("Avante, Camarada, Avaaaannnnnteeeeee!...")&lt;/span&gt; no meio da transcrição, se me permitem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Em 1907, o filósofo italiano Benedetto Croce perguntou: "O que está vivo e o que está morto no pensamento de Hegel?". Mais ou menos uma vez por década, uma pessoa lembra-se de fazer a mesma pergunta sobre Marx&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;{pois, acham que são reaccionários!&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;}&lt;/span&gt;. Agora é a nossa vez &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;{que mania de complicar tudo... não bastava dizer que está tudo muito bem e continuar a luta de classes?}&lt;/span&gt;. No princípio do século XXI, quanto, se é que alguma coisa&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;{filhos da mãe!}&lt;/span&gt;, vai escapar à pira funerária?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;- Já repararam neste hábito que o pessoal académico tem de falar na primeira pessoa do plural? Adiante...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A minha resposta é: mais do que se poderia pensar. De há alguns anos para cá temos desculpa se pensarmos que Marx não tem mais nada a dizer-nos &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;{têm desculpa o caraças!}&lt;/span&gt;. Os regimes marxistas falharam miseravelmente &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;{lá isso é verdade...}&lt;/span&gt; e com eles, assim parecia &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;{gostei deste pretérito, sim senhor!}&lt;/span&gt;, qualquer razão para levar Marx a sério. A queda do Muro de Berlim teve uma ressonância simbólica enorme: foi muitas vezes tomada pela queda do marxismo enquanto tal, bem como da política e economia marxista.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 17pt"&gt;Mas ao celebrar o fim do "império do mal" esquecemo-nos de que os pensadores que inspiraram o comunismo do Leste europeu não eram pessoas más. Pelo contrário, viam-se como nossos salvadores &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;{tenho pena que não fossem imortais...!}&lt;/span&gt;. À custa de um enorme sacrifício pessoal&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;{tome lá e embrulhe esta, quem pensa que pensar não magoa...! - e que o digam Fernando Pessoa e os seus heterónimos}&lt;/span&gt; , procuraram libertar a humanidade daquilo que acreditavam &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;{SABIAM, se faz favor.}&lt;/span&gt; ser um sistema económico e social desumano: o capitalismo. Impelia-os tanto uma visão de como a sociedade devia &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;{DEVE...}&lt;/span&gt; ser como dar conta daquilo que estava errado na sociedade burguesa existente. A visão positiva tornou-se um pesadelo (apesar de [...] ser outra coisa saber se os regimes comunistas foram ou não uma interpretação autêntica das ideias de Marx). Mas o falhanço do comunismo não quer dizer que tudo esteja bem no capitalismo ocidental, liberal e democrático &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;{estes britânicos são tão diplomáticos... não era mais bonito serem directos como o Francisco Louçã - a autora pigarreia - e dizer logo que o capitalismo devia ser o verdadeiro objecto da escatologia? ... Ah, perdoem a falta de clareza: o que eu queria dizer era que bastava escrever logo que o capitalismo é uma grande bosta.} &lt;/span&gt;. E é &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;{vês como concordaste?!}&lt;/span&gt; Marx, acima de tudo, quem ainda nos fornece as ferramentas mais adequadas para criticar a sociedade existente. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 17pt"&gt;[...] Marx retrata um mundo em que o mercado capitalista se infiltra na sociedade, pondo um preço em tudo e não deixando espaço para as formas não económicas de valor. Os negócios são cada vez maiores, tornam-se mais implacáveis e mais exploradores - mais vampirescos &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;{apoiada adjectivação!}&lt;/span&gt; - ao longo do processo. No capitalismo, o progresso tem um preço elevado. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 17pt"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;-Vejamos agora uma das passagens que mais me marcou em todo o livro(por que será?), e que surge no capítulo "Vida e Obra de Marx":&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;[...] podemos ler Marx aos 17 anos em "As reflexões de um jovem sobre a escolha de uma carreira", quer no original em latim quer em tradução na maioria das principais línguas. Depois de uma reflexão extensa e bastante floreada sobre a ambição e a importância da vocação para a carreira escolhida, o ensaio acaba assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                           Se tivermos escolhido aquela posição na vida em&lt;br /&gt;                           que podemos, acima de tudo, trabalhar para a hu-&lt;br /&gt;                           manidade, nenhum fardo nos pode vergar, porque&lt;br /&gt;                          são sacrifícios para o benefício de todos; não senti-&lt;br /&gt;                         remos então nenhuma alegria mesquinha, limitada&lt;br /&gt;                         e egoísta, mas a nossa felicidade pertencerá a mi-&lt;br /&gt;                         lhões, as nossas acções permanecerão silenciosa&lt;br /&gt;                         mas continuamente a trabalhar e sobre as nossas&lt;br /&gt;                        cinzas derramar-se-ão as lágrimas quentes de pes-&lt;br /&gt;                        soas nobres. (&lt;a href="http://www.marxists.org/"&gt;www.marxists.org&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...] Marx não consegue justificar as suas grandes teorias. Mas não deve ser posto de parte. O seu trabalho está entre os mais poderosos da tradição intelectual ocidental &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;{esta parte devia vir em Bold}&lt;/span&gt; e, verdadeiro ou falso, deve ser objecto de apreço e admiração &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;{verdade}&lt;/span&gt; . Mas, além disso, Marx diz muitas coisas verdadeiras e inspiradoras &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;{ora aí está!}&lt;/span&gt; . A sua obra está cheia de iluminações fulgurantes &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;{another missing Bold, Jonathan!}&lt;/span&gt; . [...] Marx continua a ser o crítico mais profundo e perspicaz do capitalismo, mesmo sob a sua forma actual &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;{não me diga! E eu que pensava que o capitalismo não existia!!! - a autora volta a pigarrear}&lt;/span&gt; . [...] Podemos não confiar nas soluções para os problemas que ele identifica, mas isso não faz com que os problemas desapareçam.» &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;{final brilhante, para quem, DIPLOMATICAMENTE, não quer admitir que, tirando o facto de ser completamente utópico, o comunismo é perfeito.}&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Enfim...&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; já me armei em canhota que chegue por hoje... &lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9453693-110652274532809478?l=estroapriori.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estroapriori.blogspot.com/feeds/110652274532809478/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9453693&amp;postID=110652274532809478' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110652274532809478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110652274532809478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estroapriori.blogspot.com/2005/01/porqu-ler-marx-hoje.html' title='&quot;Porquê ler Marx hoje?&quot;'/><author><name>Diletante a priori</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14443922015971556315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/ris.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9453693.post-110573123473112306</id><published>2005-01-14T19:27:00.000Z</published><updated>2005-01-17T22:25:55.130Z</updated><title type='text'>O Príncipe Perfeito</title><content type='html'>A minha parca existência não me tinha permitido, até ontem, confrontar-me com um exemplo de tacto político, mas sobretudo de humildade e modéstia, como o que vi no telejornal. Essa criatura de essência desconhecida, chamada Santana Lopes, não pára de me surpreender. O meu optimismo moderado não me permitia, antes da experiência do serão de ontem, esperar, como muita gente já faz, tudo desta personagem que tanto alento dá à vida política nacional. Felizmente, lá vi o telejornal (há tempo que o não fazia!) e pude constatar que afinal, nem seria muito agradável voltar a ter estes senhores da coligação no Governo. De facto, nunca desejei que eles lá estivessem, mas partindo da lógica de que os partidos da verdadeira esquerda nunca ganhariam as eleições (e mesmo ganhando, correríamos o risco de que interpretassem mal, à boa maneira europeia, a gloriosa mensagem dos pensadores socialistas do séc. XIX), e de que o PS (que não é, para mim, &lt;em&gt;verdadeira esquerda&lt;/em&gt;) também nada faria de útil, sempre preferiria ver no poder um Governo que, ao menos, me fizesse rir um pouco – como é o caso da brilhante coligação que nos tem (des)governado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas mudei de ideias, admitindo que esta gente vai longe de mais. Este senhor que referi em particular, é um megalómano visivelmente enfeitiçado pela espécie autómata, que ele mesmo se esforça por fazer prosperar neste nosso país. Mais valia, neste caso, os nossos governantes levarem a cabo os grandes projectos nazis e fazerem de nós obedientes arianos. Bastaria, para isso, que nos cegassem, ensurdecessem e emudecessem (apesar de eu estar QUASE  certa de que achariam essa solução insuficiente e desenvolveriam uma forma bastante eficaz de nos danificarem o cérebro de tal forma que não pudéssemos pensar sequer). Os olhos azuis, neste caso, não seriam necessários – até porque os megalómanos em causa não têm arcabouço suficiente para chegarem ao nível de interesse das extravagâncias hitlerianas. Eles bem gostavam, mas têm dentes a mais para poderem receber nozes de Deus...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que ouvi mesmo, e que muitos outros portugueses terão ouvido também, foi o Sr. Pedro Santana Lopes dizer: “apesar de tudo o que nos têm feito, vamos ganhar as próximas eleições”. Parece que no meio do discurso também falou em “limitar os poderes do Presidente da República”. Extraordinário! Chega um tipo a Primeiro Ministro não sabe bem como, mas sabe-se pelo menos que é um exemplo de falta de talento, capacidade de trabalho e sobretudo, é um homem que nada leva ao fim, e por isso não inspira confiança. Falta-lhe um certo “pasmo essencial”. Quer dizer, isso falta-nos a todos, cada vez mais, mas a Santana Lopes, falta sobretudo saber simulá-lo. O seu excesso de confiança só mostra que é, mais que um idealista (sim, porque o idealismo às vezes até é bom), muito pouco inteligente. Em dada ocasião disse que era asnático. Pois… é capaz de ser mais que isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Enfim…&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; lá vou eu tomar um Valium…&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9453693-110573123473112306?l=estroapriori.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estroapriori.blogspot.com/feeds/110573123473112306/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9453693&amp;postID=110573123473112306' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110573123473112306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110573123473112306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estroapriori.blogspot.com/2005/01/o-prncipe-perfeito.html' title='O Príncipe Perfeito'/><author><name>Diletante a priori</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14443922015971556315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/ris.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9453693.post-110496814769625573</id><published>2005-01-05T23:32:00.000Z</published><updated>2005-01-17T22:28:13.293Z</updated><title type='text'>Marx e o Maremoto Natalício</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;           Como não é novidade para ninguém, o mundo foi recentemente vítima de um maremoto “festivo” – já que aconteceu mesmo na altura em que o Senhor devia estar a tomar conta dos seus filhos… deve ter sido a recompensa pelos disparates que nós, alminhas de grande carácter e valor, andamos cá a fazer (e, como é habitual, quem paga são sempre aqueles que contribuem menos para os males da Humanidade… mas isso “é outra loiça”). Enfim, a terra tremeu e o mar, qual tia histérica com a nova colecção Louis Vuitton, tremeu também, o que fez com que se formasse uma grande onda, que atingiu muitos países asiáticos e alguns africanos. Morreram cento e tal mil pessoas. Estaline teria dito sobre estas pessoas que “são estatística”. Pois… “A morte de uma pessoa é uma tragédia, a de milhares [ou terá dito milhões?] é estatística”. Isto dito assim parece muito desumano, mas a verdade é que até nem parece mentira de todo, porque essas cento e tal mil pessoas não têm identidade. Há o menino &lt;em&gt;x&lt;/em&gt; e o menino &lt;em&gt;y&lt;/em&gt;, filhos do senhor &lt;em&gt;xy &lt;/em&gt;e da senhora&lt;em&gt; xy’&lt;/em&gt;, que morreram afogados e cujos corpos foram encontrados debaixo do escombro número 48756, mas de facto, eles não são mais do que a parte de um todo. Será, provavelmente, indigno pensar assim; mas não será também mais prático? Pensando bem, pensamos todos assim – perdoem o pleonasmo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;          Pomos as bandeiras a meia haste, fazemos uns minutos de silêncio para tailandês ver – sinceramente, algumas pessoas deviam aproveitar a vaga de solidariedade e prolongarem o silêncio pela eternidade fora, como aquela jovem que disse na televisão que estava chateada porque já não podia passar umas férias em condições na Tailândia, mas que também estava contente porque ia ver as coisas “mais ao natural” -, depositamos uns trocos (tem piada que agora até já há quem diga que são de mais!) numas contas que, nalguns casos, é provável que encham mais os bolsos de americanos carregados do que de indonésios, e fazemos muito mais coisas, não por preocupação, mas porque é “de bom tom” ajudar os necessitados. Porque a Maria Odete do quiosque da esquina já deu e tem a certeza que “eles” usam bem o dinheiro. E que fique bem claro, que não estou contra os beneméritos! Mas indignam-me as atitudes de hipocrisia, os “efeitos de arrastamento” (isto de usar termos histórico-económicos em crónicas de algibeira não é nada mau), aquela atitude, que as pessoas que depositam dinheiro nas continhas para as vítimas do maremoto têm, de espalhar aos 7 ventos que foram muito boazinhas. Causa-me náusea, grosso modo, a programação de televisões “prestigiadas” que coincide tão bem com as fúrias geotectónicas, vulgo aquela súbita intromissão nas grelhas de programação da SIC de uma quantidade considerável de filmes sobre catástrofes naturais, ou a exploração descarada de casos particulares (como o do menino x e do menino y) naquela massa estatística que, afinal, é vítima de uma calamidade como a que está em causa, e passa a ser vítima também da exploração sensacionalista dos “jornalistas” e dos “Messias dos media”, etc. (já repararam no jeito que dá um “etc.”?). Enfim… náusea!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;             Mas talvez nem fosse sobre nada disto que eu queria falar… de facto vinha aqui dizer que eu gosto de Marx. E acho, até certo ponto e na medida do possível, o marxismo e as teorias a ele pertencentes, muito próximas da perfeição necessária para termos um mundo “nos eixos”. Não me interessa muito se vou ou não achar isso daqui a umas semanas, ou uns meses, ou até anos, mas estou certa que agora, que até sou leiga na matéria, não abdico da minha opinião. Marx é, sem dúvida, um génio, e o seu pensamento alcança temáticas muito variadas, ao contrário do que muitos pensam, quando o tomam por mero filósofo económico. Obviamente, Marx também se esquece de muitas coisas. Mas para o século XIX, está muito bem artilhado com grandes ideias, e mais do que isso, e como ele deveria querer ser lembrado, decerto, teve a inteligência de não se resignar à opressão da secretária, e ser um filósofo de prática.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;            O que me surpreendeu mais nesta pesquisa adolescente que fiz sobre o pensamento marxista – e que vem e não vem a propósito do tsunami natalício, já verão porquê - foi o facto de Marx e o seu amigo Engels, mesmo que muito subtilmente, se terem dado conta da necessidade de preservação do ambiente. Mais Engels que Marx, é certo. Mas tal como se não fosse Aristóteles não saberíamos bem quem foi Sócrates e quem foi Platão, se não fossem alguns bons investigadores modernos também nos seria difícil distinguir Marx de Engels. Portanto, e privilegiando Marx, que era dos dois senhores referidos o que tinha barbas mais venerandas (o argumento não era para ser este, mas paciência), volto a defender que, para o século XIX, é notável esta consciência de que o capitalismo prejudica os nossos recursos naturais. Hoje, homens de pensamento ecologizado (como diz o professor de Sociologia), sabemos que nem só os capitalistas prejudicam a Natureza. As estúpidas guerras prejudicam-na, os cientistas que se lembraram daquela estupidez mor chamada bomba atómica (se os inspectores até vêm às escolas, não haverá ninguém que se lembre de controlar os cientistas?) prejudicam-na, as pessoas – estas, infelizmente, também são estatística, e muita! – que ainda não começaram a separar os lixos prejudicam-na, os idiotas que atiram lixo para o chão, mesmo que biodegradável (esta do biodegradável é como as vírgulas… dá para quase tudo!), prejudicam-na… enfim, um verdadeiro caos!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;             E não é que ainda não cheguei ao ponto que queria abordar? Enrolo, enrolo, enrolo… mas o que queria dizer mesmo é: sabem que o dióxido de carbono que os nossos automóveis expelem todos os dias está a provocar uma onda gigante? De formação e impacto mais lento, é certo, mas o efeito é o mesmo… lembram aquilo que nos ensinam na escola primária?: que o aquecimento global, fruto da poluição atmosférica, derrete os glaciares (imagino daqui a uns anos os meus netos a perguntarem-me “quais glaciares?”), o que faz subir o nível médio das águas do mar, e então “adeus continentes”, “adeus plantas e animais”, “adeus humanidade” – e com ela, todo o dinheiro do mundo!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;            Faz algum sentido a forma como vivemos hoje? Faz sentido estar sempre querendo satisfazer caprichos pessoais, com a pior das filáucias?(o que eu faço para levar os meus leitores à companhia do belo do dicionário!) Faz sentido querer, simplesmente querer, quando há quem não ouse pedir mais do que precisa? – espero que isto não tenha soado muito a discurso de Miss Universo. Faz sentido estar aqui a escrever isto sabendo que só meia dúzia de pessoas que tem a generosidade de me dar algum do seu tempo é que me vai ler, e tem, com certeza, muito mais consciência dos males deste planeta que eu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Enfim…&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; como diz a minha querida professora de Português “ler se aprende lendo e escrever se aprende escrevendo”… estou a aprender a escrever, portanto!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9453693-110496814769625573?l=estroapriori.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estroapriori.blogspot.com/feeds/110496814769625573/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9453693&amp;postID=110496814769625573' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110496814769625573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110496814769625573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estroapriori.blogspot.com/2005/01/marx-e-o-maremoto-natalcio.html' title='Marx e o Maremoto Natalício'/><author><name>Diletante a priori</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14443922015971556315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/ris.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9453693.post-110384780786055996</id><published>2004-12-24T01:13:00.000Z</published><updated>2004-12-24T00:23:27.860Z</updated><title type='text'>Manifesto Anti-Natal</title><content type='html'>Já que ando com a mania dos manifestos, passo a transcrever parte de um mail que enviei aos meus amigos nesta época tão sui generis...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;"Olá amiguinhos,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Como devem saber, tenho uma ligeiríssima aversão à época natalícia. É capaz de ser visceral, não sei... Acho uma idiotice, por exemplo, que os ateus e os agnósticos festejem o Natal. É uma espécie de hipocrisia - qual espécie, qual carapuça!, é mesmo hipocrisia. De qualquer forma, o que me irrita mais nem é a hipocrisia. É o consumismo desenfreado e a vergonhosa incitação a esse consumismo por parte dos media; o ruído, a violência cromática das ruas, das vestimentas alheias (pensando bem, isto até é capaz de nem ser característica só desta época...), das decorações dos espaços públicos em geral, e dos lares em particular. Se para muita gente é motivo de euforia, a mim tudo isto parece profundamente deprimente. Já para não falar na maneira como as pessoas se compadecem dos pobres natais de certas pessoas; ora, a verdade é que ao darem uma importância comercial ao Natal, as pessoas promovem os sentimentos de inferioridade e infelicidade. Acredito que somos produtores da sociedade, antes de sermos produtos dela. Contribuímos, com a nossa mesquinhez sórdida, para os males da sociedade. Somos cada vez mais egoístas, estamos cada vez mais longe de conseguirmos realizar coisas verdadeiramente úteis. Mas o mais preocupante nisto é que temos capacidade para mudar tudo. E o que fazemos? Acomodamo-nos à nossa situação, quer seja vantajosa ou desvantajosa.Não deixo de reconhecer a utilidade das alegorias, aquilo que transmitem de bom (Platão que o diga!), mas também me parece que o Homem, no que toca a conspurcar mensagens, é diabólico... para quê os lugares-comuns?"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que tal? Fui muito mazinha?... não creio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Anyway&lt;/em&gt;... &lt;strong&gt;FELIZ NATAL!&lt;/strong&gt; (&lt;em&gt;whatever that means&lt;/em&gt;...)&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9453693-110384780786055996?l=estroapriori.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estroapriori.blogspot.com/feeds/110384780786055996/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9453693&amp;postID=110384780786055996' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110384780786055996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110384780786055996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estroapriori.blogspot.com/2004/12/manifesto-anti-natal.html' title='Manifesto Anti-Natal'/><author><name>Diletante a priori</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14443922015971556315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/ris.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9453693.post-110312652787344844</id><published>2004-12-15T15:51:00.000Z</published><updated>2004-12-15T22:35:27.686Z</updated><title type='text'>Sugestão sui generis para a ceia de Natal</title><content type='html'>&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/Receitaespecial.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Enfim...&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9453693-110312652787344844?l=estroapriori.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estroapriori.blogspot.com/feeds/110312652787344844/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9453693&amp;postID=110312652787344844' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110312652787344844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110312652787344844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estroapriori.blogspot.com/2004/12/sugesto-sui-generis-para-ceia-de-natal.html' title='Sugestão sui generis para a ceia de Natal'/><author><name>Diletante a priori</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14443922015971556315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/ris.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9453693.post-110298130733035379</id><published>2004-12-13T21:51:00.000Z</published><updated>2004-12-15T22:27:36.716Z</updated><title type='text'>Quando a Terra Treme</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hoje, pela primeira vez na minha vida, aliás, senti literalmente a terra tremer. É uma sensação que não deixa de ser agradável (quando um sismo atinge poucos graus... não diria que seria igualmente giro se fosse um terramoto de 1755) - senti-me noutra dimensão, com um berreiro juvenil a envolver-me enquanto contemplava uma mesa que abanava com certa convicção. Atrevi-me mesmo a transfigurar aquela realidade, sentindo-me num monte prestes a abalar, rodeada por campos agrestes e, acima de tudo, infinitos. Obviamente que a tinta deste quadro não tardou a dissipar-se, quando perante a turma turbulenta, a professora bradou de desespero.&lt;br /&gt;Como devem calcular, a primeira coisa que fiz quando cheguei a casa foi procurar informações sobre o sismo. Talvez tenha exagerado na estupefacção que senti quando vi que os espanhóis até se intrometem nos nossos assuntos sísmicos... e juro que não estou a ser chauvinista: os espanhóis são fabulosos - não se nega a genialidade de um Picasso, de um Dalí, de um El Greco ou de um Goya, ou o tacto de um Paco de Lucia, ou frasear de uma Montserrat Caballé, ou o pontuar de um Cervantes e o enquadrar de um Almodóvar ou de um Buñel, ou mesmo (para não me acusarem de escolher só os bons) o sábio inquirir de um Torquemada. E para não vomitar mais nomes de espanhóis famosos, publico já de seguida o motivo da minha estupefacção, ou seja, um título do &lt;a href="http://www.publico.pt"&gt;Público Online&lt;/a&gt;... deixo também uma pergunta: será que quando há sismos no Japão, os japoneses pedem aos chineses para lhes medirem a intensidade?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/Sismo.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Auto-crítica: sei que isto foi um pretexto estúpido para um post, e argumentação também não me parece válida...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Enfim...&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9453693-110298130733035379?l=estroapriori.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estroapriori.blogspot.com/feeds/110298130733035379/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9453693&amp;postID=110298130733035379' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110298130733035379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110298130733035379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estroapriori.blogspot.com/2004/12/quando-terra-treme.html' title='Quando a Terra Treme'/><author><name>Diletante a priori</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14443922015971556315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/ris.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9453693.post-110253551308219377</id><published>2004-12-08T18:53:00.000Z</published><updated>2004-12-08T19:58:59.916Z</updated><title type='text'>Imaculada Reflexão</title><content type='html'>O ateísmo parece-me, quase sempre, a melhor alternativa à religiosidade e mesmo ao agnosticismo. Acaba, porém, por ser sempre mais dogmático que qualquer religião: porque afirma, sem provas, a inexistência de qualquer entidade superior ao homem, vulgo Deus ou deuses, ou qualquer coisa parecida. À partida, a posição dos agnósticos pareceria mais inteligente que qualquer outra: não admite explicações relativas ao sobrenatural que sejam incognoscíveis, isto é, cuja veracidade não se possa provar. Mas esta não poderá ser a minha posição, pois aceitá-la seria abjurar todas as horas que tenho passado em análises e introspecções metafísicas. Um homem que não se questiona a si próprio e o mundo em que vive é infinitamente pobre. Gosto de partir do princípio que as dúvidas não são só dores de cabeça. Serão também tesouros, livros cheios de sabedoria. Afinal, quem falaria hoje em Descartes se ele não tivesse duvidado? - e como ele, muitos outros homens nos têm mimoseado, ao longo dos tempos, com as suas incertezas.&lt;br /&gt;Mas voltando ao busílis, o facto é que não acreditar em deuses, ou não acreditar até que nos provem que eles existem parece bem mais razoável do que acreditar… à-toa. No entanto, e como comecei por dizer, por vezes irrita-me bastante o facto de o ateísmo ser tão sentencioso e lacónico. Se calhar sou equilibrada… ou tenho a mania que o sou. De facto não sei o que sou, ou o que estou a ser, mas hoje pus-me a pensar em algo que nunca tinha merecido a minha atenção: por que raio os ateus, os agnósticos e os anticlericais têm o direito de usufruir dos feriados religiosos? Passam (os) a vida a bramir dislates à religião, e depois ainda gozam os feriados? Estarei a ser demasiado radical se alegar que acho mesmo que o governo devia vigiar os velhacos dos hereges? Descontar-lhes do salário os dias feriados nos quais não foram trabalhar, colocá-los no &lt;em&gt;Índex&lt;/em&gt;, proibi-los de entrar em hipermercados nos dias em questão, torturá-los, sei lá! É que é uma tremenda de uma incoerência: uma pessoa critica as instituições eclesiásticas e depois passa o feriadinho de chinelos e &lt;em&gt;robe de chambre&lt;/em&gt;! Não é justo… é mais ou menos como as greves: um tipo num dia decide “amanhã vou fazer greve!” e no dia seguinte fica em casa ou vai à praia dar umas braçadas… e onde está a reivindicação, que constitui o verdadeiro único propósito da greve?! Irrita, não irrita?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Enfim…&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;(hum...soube mesmo bem passar esta quarta-feira a “fazer bolas com o focinho”...)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9453693-110253551308219377?l=estroapriori.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estroapriori.blogspot.com/feeds/110253551308219377/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9453693&amp;postID=110253551308219377' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110253551308219377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110253551308219377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estroapriori.blogspot.com/2004/12/imaculada-reflexo.html' title='Imaculada Reflexão'/><author><name>Diletante a priori</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14443922015971556315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/ris.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9453693.post-110225498527697264</id><published>2004-12-05T13:32:00.000Z</published><updated>2004-12-08T19:54:45.896Z</updated><title type='text'>Manifesto Anti-Bush</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Pela altura das eleições presidenciais nos E.U.A., adaptei essa obra maior da literatura de intervenção nacional que é o "Manifesto Anti-Dantas", inserindo-a num contexto mais actual, isto é, o contexto primata referente, exactamente, a esse macacão chamado George W. Bush. Uns dias depois fiz um para Pedro Santana Lopes, mas estava tão mau que tive medo de ser degredada - por isso não esperem vê-lo aqui. O do americano, sim, vou publicar, porque não me parece que vá chocar ninguém. Note-se, porém, que a maior parte do que lerão é obra do magnífico poeta do &lt;em&gt;Orpheu&lt;/em&gt;, José de Almada Negreiros que, como se sabe, prestou grande serviço à nação ao criticar o seguidismo e a depravação dos valores na literatura nacional da sua época, personificados, claro está, pelo malcheiroso Júlio Dantas. Tudo isto em 1912... Espero que se divirtam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;BASTA PUM BASTA&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Uma geração que consente deixar-se representar por um Bush é uma geração que nunca o foi! É um coio d’indigentes, d’indignos e de cegos! É uma resma de charlatães e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero!&lt;br /&gt;Abaixo a Geração!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;Morra o Bush, morra! &lt;img style="WIDTH: 60px; HEIGHT: 30px" height="40" src="http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/MAO.jpg" width="83" /&gt;PIM!&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Uma geração com um Bush a cavalo é um burro impotente!&lt;br /&gt;Uma geração com um Bush à proa é uma canoa em seco!&lt;br /&gt;O Bush é um cigano!&lt;br /&gt;O Bush é meio cigano!&lt;br /&gt;O Bush saberá caçar patos, pescar atuns, estar de férias, saberá tudo menos governar que é a única coisa que ele faz!&lt;br /&gt;O Bush pesca tanto de política internacional que até faz acordos com a Península Ibérica!&lt;br /&gt;O Bush é um habilidoso!&lt;br /&gt;O Bush veste-se mal!&lt;br /&gt;O Bush usa ceroulas de malha!&lt;br /&gt;O Bush especula e inocula os concubinos!&lt;br /&gt;O Bush é o Bush!&lt;br /&gt;O Bush é George W.!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;Morra o Bush, morra! &lt;img style="WIDTH: 67px; HEIGHT: 29px" height="34" src="http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/MAO.jpg" width="89" /&gt;PIM!&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;O Bush fez uma luta contra o terrorismo que tanto o podia ser como uma Segunda Guerra Mundial, ou uma cruzada medieval!&lt;br /&gt;E o Bush teve claque! E o Bush teve palmas! E o Bush agradeceu!&lt;br /&gt;O Bush é um ciganão!&lt;br /&gt;Não é preciso ir para o circo para se ser palhaço, basta ser-se palhaço!&lt;br /&gt;Não é preciso disfarçar-se para se ser salteador, basta governar como o Bush! Basta não ter escrúpulos nem morais, nem políticos, nem humanos! Basta andar co’as modas, co’as políticas e co’as opiniões! Basta usar o tal sorrisinho, basta ser muito delicado, e usar gravata e olhos meigos! Basta ser Judas! Basta ser Bush!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;Morra o Bush, morra! &lt;img style="WIDTH: 70px; HEIGHT: 32px" height="47" src="http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/MAO.jpg" width="98" /&gt;PIM!&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;O Bush nasceu para provar que nem todos os que governam sabem governar!&lt;br /&gt;O Bush é um autómato que deita p’ra fora o que a gente já sabe que vai sair… mas é preciso deitar dinheiro!&lt;br /&gt;O Bush é uma asneira dele próprio!&lt;br /&gt;O Bush em talento nem chega a pólvora seca e em competência é PIM-PAM-PUM!&lt;br /&gt;O Bush nu é horroroso!&lt;br /&gt;O Bush cheira mal da boca!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;Morra o Bush, morra! &lt;img style="WIDTH: 69px; HEIGHT: 35px" height="41" src="http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/MAO.jpg" width="83" /&gt;PIM!&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;O Bush é o escárnio da consciência! Se o Bush é americano, os americanos querem ser canadianos!&lt;br /&gt;O Bush é a vergonha da diplomacia americana! O Bush é a meta da decadência mental!&lt;br /&gt;E ainda há quem não core quando diz admirar o Bush!&lt;br /&gt;E ainda há quem lhe estenda a mão!&lt;br /&gt;E quem lhe lave a roupa!&lt;br /&gt;E quem tenha dó do Bush!&lt;br /&gt;E ainda há quem duvide de que o Bush não vale nada, não sabe nada, e que nem é inteligente, nem decente, nem zero!&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Enfim...&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9453693-110225498527697264?l=estroapriori.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estroapriori.blogspot.com/feeds/110225498527697264/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9453693&amp;postID=110225498527697264' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110225498527697264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110225498527697264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estroapriori.blogspot.com/2004/12/manifesto-anti-bush.html' title='Manifesto Anti-Bush'/><author><name>Diletante a priori</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14443922015971556315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/ris.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9453693.post-110219436321988027</id><published>2004-12-04T20:07:00.000Z</published><updated>2004-12-04T21:06:03.220Z</updated><title type='text'>Democracia</title><content type='html'>Parece que Portugal vai ser outra vez uma democracia. Mas esperem lá: Portugal alguma vez foi uma democracia? Esperem lá outra vez: o que é, afinal, uma democracia? Não é, como diz o dicionário (Aurélio XXI, versão electrónica) : &lt;em&gt;[do Grego demokratía] s.f. Doutrina ou regime político baseado nos princípios da soberania popular e da distribuição equitativa do poder, ou seja, regime de governo que se caracteriza, em essência, pela liberdade do acto eleitoral, pela divisão dos poderes e pelo controlo da autoridade, i. e., dos poderes de decisão e de execução&lt;/em&gt;?Se é realmente assim, peço-vos que esperem mais um bocadinho, ainda: será que algum país é ou foi, alguma vez, uma democracia? Soberania popular?! AHAHAHAHAHAHAHAH!!! O que é que tomou o indivíduo que inventou este conceito? E onde é que eu arranjo uns gramas? É fabuloso, consegue ser mais positivo que Murphy!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/ch_zapa_p.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;                                                                          &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Estes devem ser uns grandes mentirosos...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Enfim... &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9453693-110219436321988027?l=estroapriori.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estroapriori.blogspot.com/feeds/110219436321988027/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9453693&amp;postID=110219436321988027' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110219436321988027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110219436321988027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estroapriori.blogspot.com/2004/12/democracia.html' title='Democracia'/><author><name>Diletante a priori</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14443922015971556315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/ris.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9453693.post-110218645333273996</id><published>2004-12-04T18:50:00.000Z</published><updated>2004-12-04T20:08:17.803Z</updated><title type='text'>Prólogo</title><content type='html'>É certo que há por aí gajos e gajas que falam, falam, falam, falam, e eu não os vejo a dizer nada. Mais certo ainda é que me tenho dado conta de que também não sou capaz de dizer alguma coisa... e haverá melhor razão para se criar um blogue do que esta? Não há, obviamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Enfim...&lt;/em&gt; &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9453693-110218645333273996?l=estroapriori.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estroapriori.blogspot.com/feeds/110218645333273996/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9453693&amp;postID=110218645333273996' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110218645333273996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9453693/posts/default/110218645333273996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estroapriori.blogspot.com/2004/12/prlogo.html' title='Prólogo'/><author><name>Diletante a priori</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14443922015971556315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v177/JazzyGirl/ris.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
